Desporto
Olhanense - Milhares de adeptos invadiram relvado depois de a polícia abrir portões
carlos filipe de sousaVer Fotos »
Festejos dos adeptos Olhaneses após a vitória sobre o Gil Vicente
E ao apito final, com o Olhanense a ganhar ao Gil Vicente por 1-0, milhares de adeptos invadiram o relvado, após a polícia ter aberto os portões, e correram atrás dos futebolistas para comemorar a subida à Liga principal.
Já com o título garantido há uma semana, os adeptos e sócios do Olhanense tornaram a celebrar hoje a subida do clube algarvio ao principal escalão do futebol português, quase esgotando os bilhetes e pintando as bancadas com camisolas às riscas vermelhas e negras.
Com mais de 7000 bilhetes vendidos - a Liga Portuguesa de Futebol Profissional autorizou a abertura da bancada de topo Norte, que estava desactivada há cinco épocas, para receber mais adeptos -, o som das cornetas a dar incentivo aos jogadores e o bater de palmas foi constante ao longo dos 90 minutos do jogo entre o Olhanense e o Gil Vicente.
A partida também foi animada pelas mais recentes "cheerleaders" do futebol português, um grupo de dançarinas do Ginásio Clube Olhanense, que, “equipadas” com mini-saias pretas rodadas e t-shirts iguais às dos jogadores, fizeram coreografais com passos de dança moderna, animando o público, que à sua passagem fazia as famosas "ondas" com os braços.
Os 10 000 micropapelinhos multicolores com a frase inscrita “Vamos apoiar. Acredito!” sobrevoaram constantemente as bancadas do Estádio do Olhanense para espicaçar ainda mais a alegria do povo de Olhão, que aderiu em massa às celebrações com cornetas, bombos, cachecóis vermelhos e boa disposição.
Também em êxtase total esteve sempre o presidente da Direcção do Olhanense, Isidoro Sousa, que, em declarações à Agência Lusa, agradeceu as vitórias aos jogadores - “Os grandes obreiros deste grande feito” - e dedicou a subida a todos os adeptos do clube e aos “algarvios em geral”.
Isidoro Sousa adiantou que o investimento que o clube tem de fazer para na
próxima época
receber os jogos da Liga principal ronda um milhão e meio de euros.
“Pelas minhas contas dá sensivelmente um milhão e meio, mas teremos de procurar outras formas de apoio para cobrir todo este valor”, declarou, referindo, no entanto, que a Câmara Municipal de Olhão e algumas empresas já estão interessadas em apoiar as obras.
Sobre as obras de requalificação no Estádio José Arcanjo para
poder acolher condignamente os jogos da Liga principal, Isidoro Sousa explicou que o investimento do clube tem de ser “público-privado”: “Obviamente que a Câmara de Olhão vai participar neste investimento e temos mais duas empresas interessadas em ajudar”.
O autarca de Olhão, Francisco Leal, disse à Lusa que as obras de
requalificação do estádio - mais bancadas, melhor iluminação e relvado - devem arrancar na próxima semana, para garantir que tudo está pronto para o início da
próxima época.
“Tudo está a ser tratado de forma acelerada para estar pronto quando começar a
próxima época da I Liga”, afirmou, adiantando que a Câmara vai tentar encontrar “uma engenharia financeira para que o clube consiga fazer as obras necessárias”.
No exterior do Estádio José Arcanjo, os cafés e bares contíguos também se apetrecharam para as celebrações,
triplicando os “stocks” de cerveja e de polvo e ovas grelhadas, um petisco típico e apreciado em Olhão.
“No domingo passado tinha um barril de cerveja (60 litros) e 30 grades e esgotei tudo. Hoje abasteci o café com seis barris e 70 grades de cerveja”, contou Francisco Silva, proprietário do café “Tiago e Inês”.
Quem também triplicou o “stock” de bebidas e de comida foi a dona do Café “Solar das Tapas”, Anália Silva, que ao intervalo do jogo Olhanense Gil-Vicente já tinha vendido todas as sandes, empadas e bolos e dezenas de imperiais e minis de cerveja.
Um “sonho tornado realidade”, foi assim que Marco Couto, sub-capitão de equipa, resumiu à Agência Lusa a subida do Olhanense à Liga principal.
“Se no início da época dissesse-mos que o Olhanense estaria a viver o que hoje está a viver, se calhar chamar-nos-iam alguns nomes. Nós acreditámos, o balneário acreditou, trabalhámos para isso e, sem entrar em loucuras e com uma gestão organizada, os sonhos podem-se concretizar”, disse Marco Couto, dedicando o triunfo à massa adepta.
A consagração da subida do Olhanense à primeira divisão, 35 anos depois, agrada às autoridades locais, mas também à população que vê nela uma forma de agitar e vencer a crise económica mundial.
Depois de os jogadores terem recebido o
prémio da subida, a festa do Olhanense continuou ao longo da tarde, com um percurso de autocarro descapotável pela cidade.
Para as 18:45 está prevista uma recepção oficial nos Paços do Concelho, pelo presidente da Câmara Municipal de Olhão, Francisco Leal, e o programa da festa é continuar na Baixa de Olhão, onde estará um palco montado para, às 22:00, o plantel ali ser agraciado pelos adeptos.
24 de Maio de 2009 | 19:01
lusa