Estudo de investigadora do CES de Coimbra é apresentado hoje
:: 2008-11-19
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Autora diz que o tema nunca pode ser considerado "definitivo"
É apresentado hoje, em Coimbra, o livro "Imigração e criminalidade - caleidoscópio de imigrantes reclusos", que tem por base a tese de mestrado de Maria João Guia, investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, que estudou as relações entre imigração e criminalidade. "Os imigrantes não são mais criminosos do que antes, nem cometem mais crimes do que os portugueses, apesar de haver diferença nas proporções dos grupos", sintetisou a autora, notando que "existem factos em comum entre determinadas nacionalidades e determinadas condenações".
Maria João Guia trabalhou os dados estatísticos fornecidos pela Direcção-Geral de Serviços Prisionais, em 2002 e 2005, com incidência nos reclusos nascidos fora de Portugal. A dissertação de mestrado, sob orientação da professora Maria Ioannis Baganha, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, decorreu no passado dia 10 de Outubro. Menos de dois meses depois surge o livro, que depois da apresentação em Coimbra (às 18h na loja da Almedina no Estádio Municipal) será lançado em Lisboa (dia 24, na Almedina do Atrium Saldanha) e no Porto (3 de Dezembro, na Almedina Arrábida).
"Através da análise de diversas variáveis, tais como nacionalidade, sexo, idade, habilitações literárias, pena e crime, foi possível constituir uma tipologia de quatro grupos de imigrantes, cujas condenações por tipos de crime e outras variáveis se aproximavam", explica. Na contracapa do livro faz nova síntese:
"Concluiu-se que os imigrantes, em geral, não cometem hoje mais crimes do que antes" e nas conclusões relaciona os dados
: "Se se verificou a entrada de um grande número de estrangeiros em Portugal nos últimos anos, naturalmente houve um aumento do número de reclusos estrangeiros".
Maria João Guia procura
"desmistificar o preconceito de que todo o imigrante é criminoso" e lembra que,
"aparentemente, crimes como o auxílio à imigração ilegal, o tráfico de seres humanos, a angariação de mão-de-obra ilegal, o lenocínio, a extorsão e a falsificação de documentos estão a aumentar". "No entanto", prossegue,
"são os imigrantes que constituem a maioria das vítimas dos mesmos", conclui a investigadora do CES.
"Este livro é uma tentativa de repor verdades e de analisar com o rigor possível as realidades da imigração e da criminalidade", salienta. Através do subtítulo - "Caleidoscópio de imigrantes reclusos" -, a autora pretende
"manter presente a consciência" de que
"nunca poderá ser abordado de forma definitiva" o tema "Imigração e criminalidade".
O júri das provas de mestrado da investigadora do CES, presidido pelo catedrático João Arriscado Nunes, integrou ainda os professores João Peixoto e Maria Ioannis Baganha.