
Originalmente Colocado por
Axxantis
Exacto.
É preciso entender a postura dos bancos. Os Bancos não apoiam projectos nem fazem parcerias, por muito que a retórica dos seus gestores de conta queira convencer-nos do contrário. Um banco limita-se emprestar dinheiro, após avaliar a capacidade do Cliente pagar o que vai pedir emprestado, e a avaliar as garantias, ou seja, aquilo a que se pode agarrar caso o Cliente deixe de poder pagar.
No caso apontado, parece que nenhum dos 2 pressupostos está cumprido: por um lado, não havendo experiência de trabalho nem nenhum histórico de gestão, não há como o Banco avaliar positivamente a tal capacidade de pagar; por outro lado, não havendo garantias para dar... está tudo dito. As Capitais de Risco são um pouco mais afoitas, mas as diferenças não são assim tantas, e no caso em concreto o resultado dever ser o mesmo, ou seja, um rotundo não.
Além disso é um pouco ingénuo chegar a um banco ou capital de risco e pedir que sejam eles a arriscar 100% do capital necessário. Não faz sentido. Um projecto empresarial deve ser uma partilha de riscos, onde os mais interessados (os sócios) devem ser os que mais riscos estão dispostos a correr. Se os sócios tivessem 200 mil para investir, e fossem pedir ao banco 100 mil (autonomia financeira de 67%), aí talvez já se conseguisse alguma coisa, desde que, claro, houvesse garantias interessantes para dar. Assim..
Por fim, tenho a certeza que o LEO terá pensado nisto, mas nunca é demais sublinhá-lo: os capitais necessários para o início de uma actividade qualquer nunca se devem resumir ao custo previsto dos equipamentos. Tão importante quanto isso é contar com fundo de maneio suficiente para financiar as primeiras aquisições de matérias-primas, os custos de funcionamento (electricidade, combustíveis), os custos da mão-de-obra e outros consumos, para pelo menos 1 ano. É que, mesmo na melhor da hipóteses, o dinheiro só começa a entrar ao fim de 4 ou 5 meses de actividade, e para isto acontecer é preciso que tudo corra muito bem.