Entrevisa a Teixeira dos Santos
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Título: Entrevisa a Teixeira dos Santos

  1. #1
    Piloto de Fórmula 1 pmct's Avatar
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    Aug 2003
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    Por Defeito Entrevisa a Teixeira dos Santos

    O ministro das finanças prevê crescimento acima da média europeia em 2009.




    Helena Garrido

    Extremamente cauteloso e no estrito respeito pelas regras e pelo mercado, Fernando Teixeira dos Santos, ministro de Estado e das Finanças, não assume compromissos sobre a descida dos impostos em 2009. “Vamos ver”, qual o ritmo de redução do défice e a evolução da conjuntura, diz. Sobre o conflito no BCP apenas afirma esperar que tudo volte o mais rapidamente possível à normalidade mas recusa intervir e chamar os responsáveis do banco. “É um problema que os accionistas têm de resolver”. Apenas se mostra mais afirmativo nas questões do mercado de trabalho. Sobre isso considera que ainda há muito a ganhar na gestão do trabalho antes de se consagrar mais flexibilidade nos despedimentos.
    Quando é que podemos esperar o regresso de um crescimento acima da média da União Europeia?
    O crescimento trimestral tem vindo a melhorar desde a segunda metade de 2006, dando sinais de reforço e consolidação. Mantendo-se este ritmo de recuperação acredito que no final desta legislatura, por volta de 2009, estaremos a convergir para a média europeia, recuperando o que foi perdido nos anos de 2000 a 2005. Já temos sinais de que o investimento empresarial está com um dinamismo mais acentuado, nomeadamente em equipamentos, instalações e material de transporte. O que confirma que esta dinâmica das exportações mais cedo ou mais tarde iria reflectir-se no investimento.
    Considera possível que esta recuperação se faça com criação de emprego ou é inevitável um aumento do desemprego como o que se verificou em Espanha e na Irlanda, na altura da reestruturação dos seus tecidos empresarias?
    Já temos sinais de que está a haver criação de emprego. Não tem sido é suficiente para absorver todo o crescimento da população activa, o que explica o comportamento da taxa de desemprego.
    Mas considera então que Portugal não terá de passar pelas elevadas taxas de desemprego que se viram em Espanha e na Irlanda?
    Estamos a passar por isso agora…
    …Mas com taxas de desemprego mais baixas…
    Sim, mais baixas. Mas o aumento da taxa de desemprego que registámos recentemente é o resultado dessa mudança estrutural na nossa economia. E aí podemos estabelecer um paralelismo com o que se passou noutros países. Espanha é um caso único. Não há registos de processos de reconversão industrial com taxas de desemprego tão elevadas como as de Espanha. Não é de esperar que Portugal viva a mesma experiência. Com certeza que estamos aqui a assistir a mudanças estruturais reflectidas no desemprego. Mas também neste momento sabemos mais do que sabíamos há uns anos atrás para enfrentar essas situações. As políticas activas de emprego, a formação profissional, a mobilidade dos trabalhadores entre actividades têm um papel importante em atenuar a subida do desemprego…
    Neste quadro considera fundamental que se altere a legislação laboral?
    A revisão está em curso, no sentido de uma maior flexibilidade. É uma reforma importante para que o nosso mercado de trabalho possa responder de forma mais eficaz aos desafios de maior concorrência e globalização. Para permitir um rápido ajustamento, evitar situações de desemprego prolongado e facilitar a adaptação das empresas a esta realidade. Mas também considero importante a requalificação e a formação profissional. Não basta ter um novo quadro de legislação laboral que dá novos instrumentos de gestão do trabalho. O programa de Novas Oportunidades visa reforçar essa componente das qualificações, combinando a possibilidade de obterem não só uma habilitação educacional mas também uma qualificação profissional. Sinal claro do sucesso desta iniciativa é o número de pessoas que estão inscritas: cerca de 750 mil…
    Também revela alguma ansiedade das pessoas quanto ao seu futuro no mercado de trabalho…
    Exacto. Mas também revela consciência da importância que as pessoas estão a dar à sua formação.
    E com essa formação conseguirão arranjar emprego?
    Com certeza que sim. Há uma componente profissionalizante que com certeza dará valências que melhorará muito a sua capacidade de inserção e mobilidade no mercado de trabalho.
    Considera viável a aplicação do modelo de flexigurança em Portugal?
    Esse é um debate que ainda não está completo. Vai desenvolver-se ao longo da nossa presidência da União. O conceito é importado de países nórdicos, como a Dinamarca e a Suécia, onde tradicionalmente e culturalmente há um peso muito significativo do Estado na protecção social e na prestação de serviços. E aí os cidadãos têm preferências diferentes das nossas. Nós aqui temos uma carga fiscal que ronda os 34 a 35% e vemos que se considera que essa carga deve ser reduzida. Mas nesses países a carga fiscal está acima dos 50%.
    Está a dizer que se as pessoas querem flexigurança têm de pagar mais impostos?
    Este modelo nasce em países com tradição de intervenção e presença do Estado nestas áreas, onde existe uma cultura sindical mais cooperante, dialogante e que não está tão presa a alguns arquétipos ideológicos que alguns sindicatos têm na nossa sociedade. É um conceito sobre o qual temos de reflectir. Por um lado não é possível enfrentarmos a concorrência a que a economia europeia está sujeita à escala global mantendo paradigmas de funcionamento do mercado de trabalho que são rígidos, que não permitem ajustamentos às mudanças. Mas também não pode ser aquilo que se designa por liberalismo selvagem que ninguém quer… É preciso ter mais flexibilidade mas as pessoas não se podem sentir desprotegidas. O debate sobre a flexigurança passa por encontrar esse justo equilíbrio entre flexibilidade e segurança.
    O risco, em Portugal, será termos apenas a parte da flexibilidade sem a segurança?
    Não necessariamente. Não tenho a visão da flexibilidade ultra-liberal e até de alguma forma ‘hollywoodesca’. Muitas pessoas consideram que devia ser como se vê nos filmes: ‘Não gosto de ti, estás despedido.’
    Pensa que não deve ser assim?
    Nem é esse o modelo da flexigurança. E quando estou a dizer isto estou a caricaturar, um pouco como a rábula do Gato Fedorento. Não pode ficar no arbítrio de alguém. Não é isso que se está a pensar. Há uma primeira fase que tem a ver com a flexibilidade na gestão do trabalho, em termos de horários, de adaptabilidade a novas funções… Há ainda grandes ganhos a obter nesse no domínio.
    …Do que flexibilizar os despedimentos.
    Exacto. Antes da flexibilização das entradas e saídas há ainda grandes ganhos que se podem obter. Mas não sou eu que lidero esse debate, mas sim o meu colega Vieira da Silva. Não podemos é pensar que há um modelo de flexigurança que serve a todos por igual. Temos de ter uma solução portuguesa. E não tenho uma visão da segurança assistencialista. A segurança tem aqui o sentido de assumir pontes, meios e possibilidades de encontrar uma nova colocação.
    Mas isso é caro. No caso dinamarquês garante-se cerca de 90% do último rendimento…
    Mas os tempos de desemprego são muito mais reduzidos.
    Tem ideia de quanto custaria um modelo como o dinamarquês em Portugal?
    Não tenho…

    DESCIDA DE IMPOSTOS? “VAMOS VER”

    Concorda com o governador do Banco de Portugal quando diz que não é possível reduzir os impostos em 2008?Sim.
    E em 2009?Vamos ver como as coisas correm. Não gostaria de fazer previsões quanto a momentos em que poderão existir reduções de impostos porque temos de resolver o problema da redução do défice. Não podemos pensar em reduzir impostos antes de estarmos suficientemente longe dos 3% e suficientemente perto de uma situação de quase equilíbrio orçamental. Quanto é isso? Depende do ritmo com que está a decorrer a consolidação orçamental e do impacto efectivo que o conjunto de reformas está a ter nas finanças públicas. Neste momento há medidas que estão tomadas, sabemos que o seu impacto se vai sentido com o passar do tempo. Temos estimativas dos seus efeitos mas é preciso ver se, na realidade, são mais ou menos acentuados. É preciso avaliar também como evolui a conjuntura económica. É preciso ter suficientemente acautelado que não voltamos a infringir o limite de 3%.
    Suficientemente longe dos 3% seria 1,5% em 2009?Depende muito. Depende da rapidez com que nos estamos a afastar dos 3%. Quando será esse momento? Em boa verdade não é possível, agora, determinar essa data.
    Este ano é possível esperar um défice inferior ao previsto (3,3%)?A meio do ano é ainda arriscado estar a melhorar as expectativas. Mas creio que os sinais que temos da execução do primeiro semestre são positivos e animadores. O objectivo de 3,3%, que já é revisto face aos 3,7%, é uma meta mais ambiciosa que será cumprida. É prematuro e até imprudente da minha parte acalentar qualquer expectativa de que vamos fazer melhor. Mas não escondo que a ambição de qualquer ministro das Finanças é fazer melhor e, se puder, com certeza que o farei. E será importante que se faça porque quanto mais rapidamente tirarmos o país desta situação melhor para a economia em geral. Esta questão do défice é uma nuvem que paira sobre nós. Quanto mais rapidamente a afastarmos melhores perspectivas se abrem e reforça-se a confiança dos portugueses.
    A receita tem subido sempre acima do produto nominal e a despesa não tem caído em termos nominais…Mas a despesa não pode cair em termos nominais.
    Alguns economistas consideram que existe um tal grau de ineficiência no Estado que isso seria possível.Se olhar para as componentes da despesa, em particular em 2006, constata que as despesas com a saúde e com as pensões têm um elevado peso. Não sei como se reduzem essas despesas em termos nominais e merece o prémio Nobel quem me disser como se faz. Noutras despesas existiram diminuições nominais, designadamente nos gastos com pessoal. Se os preços aumentam é óbvio que, mesmo comprando o mesmo, a despesa tem de aumentar. Esta ideia de que a despesa nominal tem de baixar é uma bizarria que não tem fundamento económico. Temos reduzido o peso da despesa no produto e é isso que dizem todos os manuais de economia e todas as análises de consolidação orçamental.
    A redução do défice nesse quadro faz-se por via da receita.Não. Dois terços da redução do défice foi com redução do peso da despesa no PIB. O outro terço foi com aumento da receita e ainda bem. Só na receita fiscal fomos buscar mais de 1500 milhões de euros de cobrança de dívidas fiscais. É 1% do PIB. O que conseguimos foi fazer com que portugueses que tinham impostos em atraso ou não pagavam impostos os pagassem. Reflecte-se nos indicadores da carga fiscal que aumenta um ponto percentual.
    Mas deveria ser uma subida pontual, regressando ao nível anterior.O problema é que tivemos níveis de incumprimento e de evasão ao fisco que se traduz ainda num stock muito significativo, que temos de recuperar a bem da justiça fiscal. A subida é um mero reflexo estatístico porque os portugueses que sempre cumpriram não estão a sentir esta sobrecarga fiscal.
    O nosso sistema fiscal não está demasiado apoiado no rendimento do trabalho e na tributação do consumo?É um debate importante, o de saber qual o sistema fiscal que mais favorece a competitividade e é mais equitativo ou justo. A abertura das economias e a liberalização dos movimentos de capitais introduziu uma assimetria enorme entre os factores de produção. O capital é extremamente móvel, não tem pátria, mas o trabalho continua a tê-la. O que tem levado a um enviesamento dos sistemas fiscais que estão cada vez mais apoiados na tributação das pessoas, do rendimento do trabalho, o elemento de maior fixidez. E ainda não há resposta para este problema.
    Mas em Portugal não era viável aumentar mais a tributação do capital, designadamente nas mais valias?Mas isso tem vindo a ser feito. E creio que o regime que temos não é substancialmente diferente de outros países. Houve alterações que já tiveram algum impacto este ano e continuarão em 2008. Não é por acaso que o IRC aumentou quase 30% no primeiro semestre deste ano. Há uma preocupação de fazer com que todos participem neste esforço de consolidação das finanças públicas.
    Até que ponto é que este combate à fraude tem afectado sobretudo a classe média e muito pouco as classes de rendimentos mais elevados?Tem afectado todos. Não fazemos distinção entre classes de rendimentos. Há indicadores, como os sinais exteriores de riqueza. Uma administração fiscal eficaz tem aliás de dar mais atenção aos devedores de maior dimensão.
    Está a considerar a possibilidade de reduzir as deduções fiscais com despesas de saúde, conforme é sugerido no relatório sobre a sustentabilidade financeira da saúde?Essa matéria não está sobre a mesa.
    Nem vai estar no Orçamento para 2008?Não. Não existe nenhum projecto nesse sentido. Não há intenção de mudar nada.
    E concorda com o fim da ADSE, que também é proposto nesse relatório?Não. Ainda o ano passado, quando discutimos com os sindicatos as taxas da ADSE, tornei bem claro que a ADSE é um subsistema de saúde importante para a função pública, que existe há muito tempo, que tem vindo a prestar um serviço que queremos manter, assegurando a sua sustentabilidade financeira.

    Já está a preparar o Orçamento do Estado para 2008?
    Há algum tempo.
    Quais as principais orientações?Ainda é cedo para revelar.

    Que efeitos se poderão esperar da reforma do Estado?Continuaremos a estratégia de enfoque na redução da despesa, procurando manter o ritmo de progressão da receita na base da estrutura fiscal existente e no combate à fraude e evasão fiscais.

    Mas a reforma do Estado não está atrasada? Criou-se uma grande expectativa de colocação de funcionários na mobilidade mas apenas o Ministério da Agricultura o tem feito.Não. Nos vários ministérios estamos na fase de avaliação dos recursos humanos necessários. E é de esperar que na sequência deste trabalho passemos a ver isso reflectido nos mecanismos de mobilidade. Todos nós gostaríamos de andar mais depressa. Mas são mudanças profundas, mexendo em toda a administração pública. Se pensarmos que há um ano atrás não tínhamos nada disto, vemos que muito trabalho foi desenvolvido e vai continuar. Num ano fez-se muito. As novas leis orgânicas, com uma redução de 25% das estruturas dos vários ministérios. Discutimos já no Parlamento o novo regime de remunerações, carreiras e vinculações. Aprovámos o novo sistema de avaliação de serviços, dirigentes e trabalhadores da administração pública. Nas duas últimas iniciativas foi possível obter acordo de algumas organizações sindicais, revelando aqui a importância do diálogo em matérias tão importantes como estas.

    O grande efeito da reforma do Estado será no próximo ano?Já se começa a sentir este ano. Mas não se esgota este ano e terá impacto nos anos vindouros. O importante é estabelecer um modelo de gestão que será radicalmente diferente do que estamos habituados e que tem de se apoiar na responsabilização dos dirigentes. Exigir que dirijam mesmo. E dirigir é usar bem os recursos e melhorar os serviços que prestam. E é nessa base que vão ser avaliados.
    É de esperar para o ano progressões nas carreiras?Prevemos que em função das avaliações que têm vindo a ser feitas os funcionários que respeitem certos requisitos possam beneficiar de uma evolução na carreira em 2008.

    QUALIDADE ORÇAMENTAL NA PRESIDÊNCIA

    Que objectivos gostaria de atingir na presidência?Gostaria de avançar no reforço da qualidade das políticas orçamentais. A questão já não é apenas quantitativa, de respeitar o limite de 3% e o equilíbrio a médio prazo. É preciso avaliar, respeitando o Pacto de Estabilidade, que finanças públicas podem auxiliar mais o desenvolvimento e a competitividade da economia europeia. É preciso melhorar os sistemas fiscais e reforçar a sustentabilidade das políticas sociais. E ainda como ter uma política orçamental que reforce a inovação, a ciência e a tecnologia.

    E no domínio fiscal o que pretende fazer?Olhar para a tributação com preocupações ambientais. E as recentes medidas que Portugal adoptou na tributação automóvel podem dar um contributo positivo. Em Setembro, faremos um seminário sobre o combate à fraude e evasão fiscais. Haverá ainda um debate sobre a reforma da administração pública e o papel que pode ter na consolidação orçamental e na criação de um ambiente de negócios que incentive o empreededorismo.


  2. #2
    Piloto de Fórmula 1 pmct's Avatar
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    Por Defeito

    “NÃO CHAMEI NEM CHAMAREI NINGUÉM DO BCP”
    Como avalia a actual conjuntura bolsista em Portugal?O mercado de capitais tem vivido um bom momento. Acompanha muito os movimentos internacionais e houve eventos específicos que justificaram algum dinamismo adicional. Tivemos duas OPA’s com impacto público, operações de privatização que introduziram um interesse acrescido, como a Galp, a Portucel e mais recentemente a REN, e colocações privadas como a Martifer. Tudo isto revela um activismo que contrasta com um período até relativamente longo em que estes eventos não ocorreram. Comparando a actividade do mercado de capitais com os dois últimos anos diria que existiu uma melhoria.
    Não existe uma euforia excessiva no mercado de capitais? Está preocupado com a ocorrência de uma queda?Não, não estou. Os mercados de capitais são sempre propensos a alavancar, na alta e na baixa, os estados de espírito das economias.
    O próprio Estado não terá também contribuído para esta animação ao realizar privatizações por valores que se revelam posteriormente abaixo do que as empresas valem, como aconteceu com a Galp e a REN?É curioso que diga isso agora. Quando a Galp foi privatizada toda a gente dizia que o Estado vendeu caro. Nestas operações temos de ter a preocupação de definir o preço que corresponda a avaliações objectivas e que olham muito para os fundamentais das empresas. O mercado tende a reagir levando os preços para níveis mais altos ou mais baixos do que a avaliação. Posso aqui reclamar a minha experiência nesta matéria de quase doze anos. Do conjunto de operações que o Estado fez, se olharmos num horizonte suficientemente amplo, os preços foram em geral definidos de forma acertada.
    Qual o critério que usa?Dou um exemplo. O caso que gerou grande polémica, o da EDP. No IPO [Oferta Pública Inicial] o preço subiu de forma muito acentuada e na altura afirmou-se que o Estado vendeu barato. Nos anos mais recentes, olhando para as cotações da EDP, verifica-se que de facto o preço está relativamente alinhado. O Estado quando está a colocar uma empresa no mercado tem de garantir a reputação de que não está querer aproveitar-se de uma conjuntura para maximizar o encaixe à custa dos investidores. Tem de ser uma pessoa bem. E tem sido. O histórico das empresas, após um período longo, revela que o preço em torno do qual a cotação tende a estabilizar fica em torno do valor da privatização.
    Considera que o mercado português tem sido, nos últimos tempos, excessivamente manipulado, com declarações públicas, intenções de OPA’s…Não gostaria de me pronunciar sobre essa matéria. Se existem indícios de manipulação, temos uma autoridade que todos reconhecemos ter capacidade e instrumentos para detectar esses casos e adoptar medidas. A CMVM está atenta isso.
    A situação do BCP preocupa-o?A situação do BCP é, publicamente, de conflito interno entre alguns accionistas, com reflexos nos órgãos sociais. É importante e desejável que o BCP clarifique a sua situação o mais rapidamente possível. Pela dimensão do banco no nosso sistema financeiro, só terá a ganhar com o regresso à normalidade. Mas é um assunto estritamente interno, que deve dizer respeito somente aos accionistas do BCP. Espero que sejam capazes de, o mais depressa possível, ultrapassarem e clarificarem a situação para voltarem à normalidade.
    Existe o risco de uma OPA?Não sei. O mercado saberá isso melhor do que eu.
    Seria confortável para Portugal ter o BCP em mãos estrangeiras?Não faço juízos de valor sobre isso.
    Foi contactado pelo BCP?Não fui contactado por ninguém. Como disse esta é uma matéria que diz respeito aos accionistas privados, a minha postura é de não intervir.
    Nem chamou ao Ministério das Finanças o presidente do BCP?Não chamei ninguém nem tenciono chamar. Penso que é uma matéria que tem de ser resolvida pelos accionistas do banco. Eles é que se devem entender. O Governo, sendo um banco privado, não se deve imiscuir nesse assunto. Como Ministro das Finanças apenas devo salientar a importância da normalização da situação pelos efeitos que isso tem no sistema financeiro, que é matéria com que tenho de me preocupar.

    “VALOR DO EURO NÃO PREOCUPA”

    O adiamento do equilíbrio orçamental francês é um problema?O governo francês afirmou ao Eurogrupo querer levar a cabo um conjunto de reformas respeitando o Pacto de Estabilidade e a recomendação de atingir o equilíbrio orçamental em 2010. Em Outubro a política orçamental francesa será avaliada. Não está de forma alguma em causa desrespeitar o Pacto de Estabilidade.
    Mas está a desrespeitar o compromisso de Berlim.Não necessariamente. O que foi dito é que fará todos os possíveis para respeitar esse compromisso mas sem dar garantias. Há até alguma transparência na posição assumida pela França. A própria Itália, logo em Abril, em Berlim, disse que poderia ter dificuldades mas assumiu o acordo como orientação geral. O que está aqui em causa é a vertente preventiva do pacto. E aí é importante manter o compromisso de respeitar o Pacto de Estabilidade, prosseguir o esforço de consolidação orçamental e conseguir atingir o mais depressa possível o equilíbrio orçamental. Fixámos uma data, a de 2010, esse é o nosso compromisso.
    Um país como Portugal ou até a Alemanha também gostaria de baixar impostos como a França...Cada país é livre de adoptar as suas estratégias e políticas. Aqui adoptámos uma orientação política. A França terá a sua política e a Alemanha também. Independentemente da soberania dos Estados nessa matéria há uma diferença fundamental. Quer Portugal como a Alemanha, quando adoptaram aquelas políticas, estavam em défice excessivo. A França não esta em défice excessivo, tem é de prosseguir a consolidação para atingir o objectivo a médio prazo. Há uma grande diferença…
    O que pensa da proposta de criação de um governo económico?É uma proposta que será suscitada e colocada à ponderação dos chefes de Estado e de Governo. Não me vou pronunciar sobre isso. A minha opinião dá-la-ei ao primeiro-ministro.
    Quanto à outra proposta francesa de os governos da União Monetária terem uma actuação mais activa na definição da política cambial.Essa é uma falsa questão. Isso está previsto nos tratados e não me parece que exista necessidade de o reforçar. Os ministros têm acompanhado o mercado cambial e até agora não tem havido razões para usarem esse poder.
    O euro está demasiado valorizado?O importante é olhar para a taxa de câmbio efectiva real. E nada aponta para uma valorização excessiva do euro face ao passado. Não há sinais que suscitem preocupações. Além disso a competitividade tem de se basear nos factores reais, que estão subjacentes na Agenda de Lisboa.

    FÉRIAS SÃO COM A FAMÍLIA E AMIGOS. ONDE? “É SEGREDO!”

    Um fã do CSI Las Vegas e de viagens de carro.
    Qual é o segredo para de não ser o ministro mais impopular do Governo apesar das medidas impopulares que adoptou?Não há um segredo. Procuro ser igual a mim próprio. Ser autêntico, sem poses e abordando as questões com seriedade.
    Como vão ser as suas férias?Sossegadas em família e com amigos. Tentarei descansar e distrair-me com outras coisas.
    O sítio?É segredo.
    Quais foram as ‘férias da sua vida’?A travessia da ‘Route 66’ [EUA] com um grupo de amigos. Deixou-me muito boas recordações. Com esses mesmos amigos fiz também um passeio de automóvel por Itália, um país fascinante.
    Quer repetir esse modelo de férias quando deixar de ser ministro?Quando deixar de ser ministro voltarei a esses programas e a estar mais tempo com os amigos.
    E livros, tem tempo para ler?Vou tendo tempo. Li agora um livro de autores franceses, “Toda a história do mundo”. E vou ler o romance de Maria Helena Ventura sobre D. Afonso Henriques.
    Leu o de Freitas do Amaral?Li e gostei muito. Tenho uma grande admiração por D. Afonso Henriques.
    Quem mais admira?D. João II e o Marquês de Pombal.
    Televisão vê?Vejo as notícias e algumas séries. São muito boas para descontrair.
    Que séries?O “24 horas” gostei muito. E vejo o “Dr. House, “Prison Break” e os CSI, principalmente o Las Vegas. Gosto mais do personagem.
    Cinema, qual é o filme da sua vida?O ‘Citizen Kane’ e ‘Voando sobre um ninho de Cucos’
    E qual é a sua música preferida?Gosto de jazz e clássica. Por vezes pop e rock dos anos 60 e 70.
    Lê todos os jornais?Leio os jornais todos e cada um deles tem funções diferentes. Mas há um que para mim é a referência por razões até familiares, era o jornal da minha casa, que é o Jornal de Notícias.
    Não lê os jornais online?Sou leitor de papel. Por vezes ao fim-de-semana leio online.
    Quem não gostaria de encontrar nestas férias?Não tenho problemas em encontrar seja quem for.

    E DEPOIS DE PAULO MACEDO...

    Porque não é nomeado um novo director-geral de Impostos já, optando-se antes por um interino?A sucessão do dr. Paulo Macedo está assegurada por uma pessoa altamente qualificada, com espírito de liderança e capaz de dar continuidade e aprofundar o trabalho desenvolvido pela DGCI nos últimos anos. Foi essa a minha preocupação e a do senhor secretário de Estado dos Assuntos Fiscais ao escolher o futuro director-geral. A pessoa em causa, por razões que se prendem com a sua actividade profissional, tomará posse, conforme anunciado, no próximo dia 27 de Setembro. A seu pedido tem sido mantido em sigilo o seu nome, tendo em vista não prejudicar, injustificadamente e para além do razoável, o exercício da sua actual actividade.
    Perfil: Fernando Teixeira dos Santos
    Vai ser avô em breve. Fernando Teixeira dos Santos, 55 anos com aniversário em Setembro, tem assumido o cargo de ministro das Finanças com grande serenidade, discrição e sensatez. “Aceitei ser ministro com prazer, é uma tarefa exigente mas que exerço com gosto e não estou arrependido”. E a expressão e olhar confirma o que diz. Até nos mais pequenos pormenores. Quando o cumprimento, “Como está?”, a resposta é com o ar afável que se conhece: “Bem, não me posso queixar”.Não quer dizer qual foi o momento mais difícil deste seu tempo de ministro. “Ficará para as minhas memórias”. Mas auto-retrata-se como um líder amigável que enfrenta as situações de pressão com grande serenidade. “Procuro reflectir e não transmitir as preocupações à equipa”.Doutorado pela Universidade da Carolina do Sul nas áreas de Economia Internacional e Finanças Públicas, viveu quatro anos nos Estados Unidos. A sua carreira foi essencialmente académica na Faculdade de Economia do Porto, até integrar a equipa de Sousa Franco como secretário de Estado adjunto e das Finanças. Depois foi presidir a Comissão de Mercados de Valores Mobiliários e acabou por ser a escolha de José Sócrates para substituir Luís Campos e Cunha.Extremamente cauteloso nas promessas, o facto de estar a conseguir concretizar reformas no Estado há muito tentadas fazem de Teixeira dos santos um sério candidato a um dos melhores ministros das Finanças do pós-25 de Abril.

  3. #3
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    Por Defeito

    já ano passado prevê sempre crescimento...

    isso não é novidades...

    agora não ligo a entrevistas de politicos,dizem sempre a mesma coisa que vão melhorar etc e não vejo nada...é como no futebol..dizem smp o mesmo.

    Este ou aquele clube é o melhor do mundo mas quando veem 5x o ordenado numa proposta,saem logo..

    tou a dizer 5x como 2 ou mais.

  4. #4
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    Mantendo-se este ritmo de recuperação acredito que no final desta legislatura, por volta de 2009, estaremos a convergir para a média europeia, recuperando o que foi perdido nos anos de 2000 a 2005
    E o que foi perdido em 2006, 2007 e 2008?

  5. #5
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    Por Defeito

    O risco, em Portugal, será termos apenas a parte da flexibilidade sem a segurança?
    Não necessariamente. Não tenho a visão da flexibilidade ultra-liberal e até de alguma forma ‘hollywoodesca’. Muitas pessoas consideram que devia ser como se vê nos filmes: ‘Não gosto de ti, estás despedido.’
    Isso já acontece hoje em dia mas camuflado de "quebra de confiança" ou "empresário com dificuldades económicas", só falta mesmo uma lei que dê legitimidade à prepotência.

  6. #6
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    Por Defeito

    Eu gosto é da parte em que ele diz que costuma ver o CSI, o Dr. House, o Prison Break e o 24 !!

  7. #7
    Suspenso CarlosL's Avatar
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    Por Defeito

    A parte que mais gostei foi as em que anuncia finalmente as medidas estruturais necessárias para o relançamento económico de Portugal.

    Assim, dá gosto ter um Ministro destes.

    A seguir vem as séries de TV. Temos um Ministro com um forte sentido ficcional.

  8. #8
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    Mais a sério. Acho que este é um Ministro competente, com margem de manobra que sabe o que o país precisa para desenvolver.

    Só ainda nao percebi se tem a força necessária para fazer o que é necessário...

  9. #9
    Suspenso CarlosL's Avatar
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    Citação Originalmente Colocado por hpventura Ver Post
    Só ainda nao percebi se tem a força necessária para fazer o que é necessário...
    O problema é o tal PS profundo que tem uma massa crítica enorme em todas as acções governativas.

    E assim, torna-se difícil, por vezes impossível governar.

  10. #10
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por Carlos.L Ver Post
    O problema é o tal PS profundo que tem uma massa crítica enorme em todas as acções governativas.

    E assim, torna-se difícil, por vezes impossível governar.
    Pois, era precisamente nisso que pensava.

  11. #11
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    Ora quando é que são as próximas legislativas? ah pois, em 2009....

  12. #12
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    Citação Originalmente Colocado por blink Ver Post
    Ora quando é que são as próximas legislativas? ah pois, em 2009....
    Pois, nessa altura eles apresentam umas contas todas aldrabadas para
    justificar o crescimento. Depois vem outro governo e refaz as contas
    e diz que afinal as contas são outras... dejá vu...

  13. #13
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    Shiuu, calem-se lá, escutem com atenção e digam lá que não estão a ouvir violinos...shiuuu!

  14. #14
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    Citação Originalmente Colocado por Carlos.L Ver Post
    O problema é o tal PS profundo que tem uma massa crítica enorme em todas as acções governativas.

    E assim, torna-se difícil, por vezes impossível governar.
    acho que podemos personificar esse PS no Manuel Alegre !

  15. #15
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    Citação Originalmente Colocado por André Ver Post
    E o que foi perdido em 2006, 2007 e 2008?
    E o atraso de 50 anos?

  16. #16
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    Que engraçado, acham de credibilidade duvidosa o estudo e as conclusões no tópico "Competitividade, produtividade e salários em Portugal e na UE" e, depois, acreditam piamente na versão política do Senhor Ministro sobre um "mesmo tema"?...

  17. #17
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    Citação Originalmente Colocado por pmct Ver Post
    acho que podemos personificar esse PS no Manuel Alegre !
    É. E nalguns clones que ele espalhou AQUI neste fórum.

  18. #18
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    Tomara muitos chegarem aos calcanhares do Manuel Alegre!...

  19. #19
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    Citação Originalmente Colocado por Carlos.L Ver Post
    O problema é o tal PS profundo que tem uma massa crítica enorme em todas as acções governativas.

    E assim, torna-se difícil, por vezes impossível governar.
    O PS profundo cala-se enquanto houver poder. O mesmo para o PSD.

    O poder tem esse poder.

    Enquanto tiver a dar (na opinião pública) a consolidação orçamental, não há problema.

    O pior é quando não dá e isso viu-se bem há uns tempos

  20. #20
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    Citação Originalmente Colocado por zerorpm Ver Post
    E o atraso de 50 anos?
    Bem, isso já é outro campeonato

    Sei que é muito lol o ministro ignorar que nos continuamos a afastar até 2008
    (isto se realmente começarmos a crescer acima da média, a partir de 2009)

  21. #21
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    Citação Originalmente Colocado por André Ver Post
    Bem, isso já é outro campeonato

    Sei que é muito lol o ministro ignorar que nos continuamos a afastar até 2008
    (isto se realmente começarmos a crescer acima da média, a partir de 2009)
    Devagar, mas hás-de chegar lá...

  22. #22
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    Citação Originalmente Colocado por Pé Leve Ver Post
    Devagar, mas hás-de chegar lá...
    Então não há-de. Os outros vão diminuir o seu desenvolvimento para nós nos aproximarmos

  23. #23
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    Citação Originalmente Colocado por André Ver Post
    Então não há-de. Os outros vão diminuir o seu desenvolvimento para nós nos aproximarmos
    Pois, já me tinhas dito...

    Pelo menos uma vez estamos de acordo!

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