Portugueses feitos «escravos»
2007/05/26 | 11:12
Mais de uma centena trabalha na Islândia, 14 horas por dia, incluindo fins-de-semana e feriados, «com água até à cintura» e alimentação «horrível». Fazem o mesmo que os italianos mas ganham muito menos. A história contada na primeira pessoa.
Condições de trabalho desumanas, alimentação de péssima qualidade e horários de trabalho de 14 horas são o quotidiano de mais de uma centena de portugueses que trabalham na construção de túneis na Islândia, refere a Lusa.
«É uma experiência muito má, parece que nos tratam como escravos», revelou um trabalhador português que regressou recentemente da Islândia, para onde foi contratado por uma empresa de trabalho temporário.
O trabalhador, que solicitou anonimato, denunciou as más condições de trabalho existentes nas obras de construção de túneis que se destinam a recolher a água proveniente do degelo e a transportá-la para uma barragem onde será utilizada para produzir energia eléctrica.
Trabalham com água até ao joelho
«Trabalhamos dentro dos túneis todo o dia com água até aos joelhos. Não há condições mínimas, até na mesa das refeições cai água constantemente», afirmou.
Por outro lado, segundo este trabalhador português, «a comida é horrível e inclui arroz todos os dias».
A poluição dentro dos túneis é outro dos problemas com que se debatem os trabalhadores, sendo frequente «o fumo impedir que se consiga ver um colega que está a 10 metros de distância».
A situação dos trabalhadores portugueses na Islândia, estimados em mais de uma centena, foi também denunciada por Albano Ribeiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Norte.
«Eles estão a ser tratados como escravos na Islândia», afirmou Albano Ribeiro, frisando que «a situação deles é horrível».
Segundo o dirigente sindical, «trabalham 14 horas por dia, com água até à cintura, incluindo sábados, domingos e feriados».
Ganham menos do que os italianos e mais do que os chineses
Os portugueses, juntamente com chineses, italianos e polacos, estão a fazer o trabalho que os islandeses recusam, frisou Albano Ribeiro, acrescentando que as más condições de trabalho são agravadas por uma alimentação sem qualidade, «feita pelos chineses», que os trabalhadores «são obrigados a comer dentro do túnel, num curto período de tempo».
Os portugueses que trabalham na construção de túneis na Islândia são ainda prejudicados pelos reduzidos salários que recebem, substancialmente inferiores aos que são pagos a trabalhadores de outras nacionalidades com as mesmas funções.
«Os italianos ganham, em média, mais 3.000 euros por mês do que um português que executa o mesmo trabalho», afirmou Albano Ribeiro, acrescentando, no entanto, que «os chineses e os polacos ainda estão pior do que os portugueses» ao nível salarial.
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()




LinkBack URL
About LinkBacks
Responder com citação

