citação:
Originalmente colocada por Liberal
citação:
Originalmente colocada por FGO
Agora pergunto... Como é possível ter os lucros que teve (EDP) e não fazer frente aos custos de produção, sendo estes pagos em qualquer lado com as receitas finais?
O lucro da EDP
Ora bem. Eu também acho os lucros da EDP em 2005 e a previsão para 2006 um bocado inchados de mais. Principalmente se compararmos a dimensão/lucro da EDP às grandes eléctricas europeias.
Como já expliquei aqui há uns tempos no tópico dos aumentos da electricidade, o que se passa é que a afixação das tarifas abaixo do valor de custo está a beneficiar a EDP e a prejudicar os clientes ou os contribuintes.
A quando do governo de António Guterres (sempre o mesmo ... as Scut's, o Euro 2004, etc, etc) a certa altura foram definidas tarifas artificiais, quer na energia eléctrica, quer nos combustiveis. Nos combustiveis a situação durou algum tempo até se tornar insustentável para o Estado e foi depois corrigida.
Na electricidade a coisa foi ficando, passou pelos governos do PSD e agora com este governo a coisa esteve à beira de se começar a resolver mas o governo voltou atrás, facto que está na origem da demissão do presidente da ERSE.
Os aumentos
O que se passa é que a EDP está a vender electricidade abaixo do preço real, mas está a facturá-la ao preço real. O diferencial está a acumular num défice que alguém terá que pagar. Os aumentos previstos pela ERSE para o inicio de 2007 eram de 15 ou 16%, e só cobriam parte desse défice. Mais um aumento deste género seria necessário para o proximo ano.
Mas como sabemos, o governo voltou atrás, e afirmando desconhecer (esta foi para rir ... ou chorar ...) estes aumentos inevitáveis (coisa que qualquer pessoa informada sabia há muitos meses senão mesmo anos...) e só permitiu um aumento de 6% para este ano, ignorando simplesmente a ERSE e tudo o que estava previsto e planeado desde há muito.
1ª Consequência:
O défice continua a acumular com os respectivos juros. Os clientes da EDP terão que o pagar ou então o Estado assumirá o mesmo, embora não perceba bem como, pois a UE não deve gostar dessa manobra. Duma forma ou de outra, como clientes ou como contribuintes, teremos sempre que pagar esse défice
2º Consequência:
A EDP continua alegremente a facturar electricidade mais cara do que estamos efectivamente a pagar. Se a electricidade tivesse o preço real, todos nós poupariamos no consumo (como fazemos nos combustiveis) e a EDP teria simplesmente menos lucros. Na verdade os preços actuais da electricidade não reflectem nem os aumentos do petroleo dos ultimos 3 anos nem sequer a seca que afectou a produção das hidroeléctricas.
3º Consequência
Este défice será pago por todos de forma indiscriminada. Os aumentos dos
próximos anos, em que a parte desse aumento se destina a abater o défice, essa fracção do aumento será exactamente igual para todos os clientes (ou contribuintes).
Se a electricidade tivesse o preço real, os consumidores mais eficientes e mais poupados pagariam menos do que os consumidores pouco poupados. Assim pagam todos de forma igual o mesmo défice, para o qual contribuiram de forma diferente
Conclusão:
1) A maioria das pessoas (incluindo TODOS os partidos da oposição) associa os aumentos aos lucros da EDP. Ora, o que se passa é exactamente o contrário. Se não fossem os preços afixados artificialmente, a EDP teria menos lucros.
2) O povo, os partidos e os governos continuam nesta total irresponsabilidade e a atirar alegremente as dividas para o futuro, para quem vier a seguir. Até que chegará o dia em que isto estoirará de vez e acabaremos todos a bater tachos na rua como na Argentina.