Mercedes CLE (ex-CLS)
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Título: Mercedes CLE (ex-CLS)

  1. #1
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    Por Defeito Mercedes CLE (ex-CLS)

    Aí estão as primeiras fotos espia da nova geração Mercedes CLE, o ex-CLS.
    A Mercedes, irá lançar a nova gama CLE durante o próximo ano, estando no entanto prevista a sua comercialização somente em 2018.
    Quanto às motorizações, o expectável é a introdução dos novos motores de 6 cilindros em linha, marcando assim o regresso da marca a esta tipologia de motores tanto no diesel como na gasolina.
    Assim, a versão 3.0 a gasolina produzirá cerca de 408hp e a versão diesel andará à volta dos 313hp.
    Para os apreciadores da tipologia Shooting Brake, as noticias não são animadoras...não está previsto na nova gama a introdução desta carroçaria, uma vez que as vendas deste modelo não foram fortes o suficiente para o justificar.









  2. #2
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    Os motores nao e so CLE. Vem primeiro para o S ja em Junho. E a nova estrategia dos 48 volts vs 12 volts. Dai o 3.0 atingir 408 cavalos.

  3. #3
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    Citação Originalmente Colocado por Superfast Ver Post
    Os motores nao e so CLE. Vem primeiro para o S ja em Junho. E a nova estrategia dos 48 volts vs 12 volts. Dai o 3.0 atingir 408 cavalos.
    Podes explicar por alto sff? Estou a leste do assunto.

  4. #4
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    Citação Originalmente Colocado por marelo Ver Post
    Podes explicar por alto sff? Estou a leste do assunto.
    Em ingles:

    http://www.carmagazine.co.uk/car-new...linder-engine/

  5. #5
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    What are the benefits of switching to a 48-volt set-up?

    The transition to higher voltage has been mooted since the late 1990s but never materialised. However, impending tighter emissions regulations – in 2018 and, especially, 2025 – has galvanised manufacturers into rapidly advancing combustion engine technology.
    Customers are also demanding improved economy, further prompting developments. It’s perhaps appropriate that, 130 years after launching the first internal combustion engine, Mercedes should be leading that, ahem, charge.
    Using a 48-volt electrical system grants the following benefits:

    • Lower currents A 48v system draws a quarter of the current, compared to a 12-volt system, so the gauge of the wire in the harnesses can be reduced – resulting in significant weight savings


    • E-booster The easier use of high-demand electrical systems. An Integrated Starter Generator (ISG) features on the six for the first time, as a result; it is responsible for hybrid functions such as boost and energy recovery. When paired with an e-booster – similar to that on the Bentayga diesel – the ISG’s additional 7kW enables the engine to achieve peak torque within two seconds under full throttle acceleration


    • Beltless drive Allows for efficient powering of ancillaries, resulting in the first ‘beltless’ six-cylinder engine: electrically powered water and air-conditioning pumps eliminate front-end belt drives, cutting friction losses and shortening the engine for improved packaging. Expect more ancillaries in the future to be electrically powered
    • Coasting and more Belt-drive starter-alternator (BSA) appears for the first time on the four, together with an electric water pump. The BSA is capable of recuperating up to 12.5kW and can deliver a useful 10kW boost at low engine speeds, up to 2500rpm. It also facilitates an intelligent engine-off mode, even at low speeds, and ‘coasting’ with the transmission de-coupled to maximise efficiency – and further reduce exhaust emissions

  6. #6
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    Basicamente os 48volts e 1 tecnologia intermedia a tecnologia existente (12 volts) e full hibridos (Prius):

    Os 48 volts permit 1 abordagem rapida e mais barata para fazer um hibrido. Ou seja nao e 100% o motor. Os 48v alimentam um segundo circuito que ajuda o motor ou a recuperacao de ernergia.

    Ajuda tambem no arranque, a atingir o binario maximo e elimina correia de distribuicao no motor.

  7. #7
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    Aqui, a apresentação dos novos motores:

    http://www.autoblog.com/2016/10/31/2...-six-cylinder/

  8. #8
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  9. #9
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    Cool

    O CLS quando chegou, se a memória não me trai ocorreu no já distante 2004, foi uma verdadeira pedrada no charco!

    Rompia muito com um certo "conservadorismo" típico da marca da estrela e ajudou a lançar um "novo" formato (coupé 4 portas) num segmento onde não era comum. Então a versão shooting brake foi ainda um pouco mais longe!

    Dificilmente o CLE terá esse impacto, mas os novos motores "em linha" e os 48 volts são boas notícias...

  10. #10
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    Citação Originalmente Colocado por Superfast Ver Post
    Basicamente os 48volts e 1 tecnologia intermedia a tecnologia existente (12 volts) e full hibridos (Prius):

    Os 48 volts permit 1 abordagem rapida e mais barata para fazer um hibrido. Ou seja nao e 100% o motor. Os 48v alimentam um segundo circuito que ajuda o motor ou a recuperacao de ernergia.

    Ajuda tambem no arranque, a atingir o binario maximo e elimina correia de distribuicao no motor.
    Obrigado pela explicação

  11. #11
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    pedrada no charco?? eu diria que foi apenas mais um carro igual aos outros.. a única coisa que tinha de diferente era uma silhueta mais delgada. De resto era basicamente "chapa 5"

    o CLE é também mais do mesmo.. mas do que vejo parece mais elegante que o atual CLS, que é muito musculado.. este CLE parece mais peixe-espada.

  12. #12
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    Citação Originalmente Colocado por whereagles Ver Post
    pedrada no charco?? eu diria que foi apenas mais um carro igual aos outros.. a única coisa que tinha de diferente era uma silhueta mais delgada. De resto era basicamente "chapa 5"

    o CLE é também mais do mesmo.. mas do que vejo parece mais elegante que o atual CLS, que é muito musculado.. este CLE parece mais peixe-espada.
    Claro que foi.
    Principalmente para a Mercedes, um grande Sedan que até a malta nova gostava, quando todos os sedans eram carros de velho...
    Inventaram um "nicho" uma forma de vender mais sedans.

    Basta pensar nas versões "coupés" de 4 portas das várias marcas que se seguiram e tiveram sucesso, o percursor foi o CLS
    A5 / Passat CC / Serie 6 GC / Serie 4 / A7

  13. #13
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    Citação Originalmente Colocado por PePa Ver Post
    Claro que foi.
    Principalmente para a Mercedes, um grande Sedan que até a malta nova gostava, quando todos os sedans eram carros de velho...
    Inventaram um "nicho" uma forma de vender mais sedans.

    Basta pensar nas versões "coupés" de 4 portas das várias marcas que se seguiram e tiveram sucesso, o percursor foi o CLS
    A5 / Passat CC / Serie 6 GC / Serie 4 / A7
    Concordo. Basta recordarmos a gama da mercedes em 2005 quando saiu o cls


    Cump.

  14. #14
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    sinceramente acho que não inventaram nada de novo.. simplesmente limitaram-se a dar com a marreta no teto de um classe E para o adelgaçar...

    mas pronto, não é por isso que a gente se vai chatear.. abraço!

  15. #15
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    Citação Originalmente Colocado por whereagles Ver Post
    sinceramente acho que não inventaram nada de novo.. simplesmente limitaram-se a dar com a marreta no teto de um classe E para o adelgaçar...

    mas pronto, não é por isso que a gente se vai chatear.. abraço!
    Fizeste-me lembrar a anedota do engenheiro, souberam foi dar a marretada...


    " Um Engenheiro que foi chamado para arranjar um computador muito grande e extremamente complexo de uma empresa, um computador que valia 12 milhões de euros.

    Sentado à frente do ecrã carregou nalgumas teclas, abanou lentamente a cabeça, cochichou qualquer coisa para si próprio e desligou o aparelho. Tirou do bolso uma pequena chave de fendas e apertou um minúsculo parafuso.
    Ligou novamente o computador e comprovou que funcionava perfeitamente.

    O presidente da companhia ficou impressionado e ofereceu-se a pagar a conta no momento.

    - "Quanto é que lhe devo? "- perguntou.

    -"São mil euros, se faz favor."

    -"Mil euros?! Mil euros por uns minutos de trabalho?! Mil euros por apertar uma m* de um parafuso?!" Eu sei que o computador custa 12 milhões de euros, mas mil euros pelo seu trabalho é uma quantia disparatada!! Pagar-lhe-ei apenas se me enviar a factura perfeitamente detalhada e que se justifique...

    O Engenheiro aceitou e foi-se embora. No dia seguinte, o presidente recebeu a factura, viu-a com calma e acedeu a pagá-la no momento, sem qualquer objecção.

    A factura dizia:
    Detalhe de serviços prestados:

    Apertar um parafuso................ .... .... .... ... 1 euro

    Saber qual o parafuso a apertar.................. 999 euros"






  16. #16
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    Citação Originalmente Colocado por PePa Ver Post
    Claro que foi.
    Principalmente para a Mercedes, um grande Sedan que até a malta nova gostava, quando todos os sedans eram carros de velho...
    Inventaram um "nicho" uma forma de vender mais sedans.

    Basta pensar nas versões "coupés" de 4 portas das várias marcas que se seguiram e tiveram sucesso, o percursor foi o CLS
    A5 / Passat CC / Serie 6 GC / Serie 4 / A7
    É isto. Obrigado por teres sido mais conciso que eu. Assim não restam dúvidas.

  17. #17
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    Vamos ver se a Mercedes com este CLE consegue recuperar já que este anterior CLS foi bem menos conseguido que o original. Pelo menos no plano técnico esse novo 6 cilindros será um passo importante.

  18. #18
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    Aqui vai um pouco da história por detrás da primeira geração do Mercedes CLS (w219):

    Em 1997, Michael Fink passeava de férias por Cornwall, n sul da Inglaterra. Lá, ficou amigo da família de David Brown, a pessoa que salvou a Aston Martin da falência, em 1947. Fink, designer americano que trabalhava para a Mercedes Benz, é então apresentado a Ian Callun, colega design da Jaguar. Após ver Callun, Fink faz alguns sketches inspirados nas linhas sinuosas da Jaguar.

    Nada demais, apenas desenhos em um caderno de bolso amarrutado. No mesmo ano, porém, ele usa a ideia originalmente feita para Jaguar para criar sua proposta ao novo Classe E. Bruno Sacco, chefe de design da Mercedes na época, rejeita os desenhos de imediato. Alega serem “muito Jaguar”. Fink não desanima e resgata a proposta dois anos depois, na apresentação de um novo projeto. Sua proposta de sedan com tecto baixo e linha de cintura alta agrada ao novo comando da companhia. Ele não sabia, mas acabara de criar um novo segmento: o de sedan-coupê.

    Há exactos 10 anos, no Salão de Nova York (EUA) de abril de 2004, nascia um ícone do design contemporrâneo: o Mercedes-Benz CLS, cujas linhas foram seguidas por várias concorrentes ao longo da década. Hoje, longe da Mercedes e colaborando no estúdio alemão EK Design, Fink conta os detalhes da criação que marcou a sua carreira.


    P: Quem, afinal, teve a ideia de um coupê com quatro portas?

    MF: Honestamente, eu não sei quem dentro da Mercedes teve essa ideia. Lembro que o Murat Günak, um dos chefes de design da marca, tinha acabado de voltar de uma breve temporada na Peugeot. Günak e eu trabalhamos no CLK Coupé de 1998, antes de ele ir para a França. Nesse regresso, ele era cotado para assumir o lugar do Bruno Sacco como responsável por todo o departamento.

    Um dia, no inicio de 1999, Günak apareceu na minha mesa com um papel e rabiscos bem rudes. Parecia a obra de um engenheiro. Era a vista lateral do Classe E da época [geração W210], com quatro mudanças nas medidas que ainda me lembro: ele queria 5 cm a menos de altura, 5 cm a mais de balanço dianteiro, a frente mais “pontuda”, elevar os ombros do carro e, por fim, descer o tecto como alguns "hot rods" feitos por Boyd Coddington, na Califórnia. Por coincidência, na minha mesa havia um modelo na escala 1:24 do Cadzilla feito justamento por Coddington.


    Günak deu-me isso e pediu ideias de um novo Mercedes que refletisse mais o que a Jaguar fazia na época. Aliás, ele afectuosamente apelidou o projeto de “O anti-Jaguar”. Não sei se foi ideia dele, mas foi muito inspirador para mim, pois eu já tinha os desenhos antigos, de 1997. O engraçado é que os outros designers pensaram que eu estava a prepar o meu portfólio para trabalhar na Jaguar.



    P: Como o departamento de design foi orientado no processo de criação do CLS?

    MF: Não houve o briefing normal para os designers neste projeto. Nem o nome CLS existia. Só depois veio o código C219 para “o anti-Jaguar”, e isso porque os engenheiros precisavam de um número para catalogar os testes. Para nós, designers, um dos apelidos do projeto era em alemão: strich acht [barra oito, em tradução livre]. Era para lembrar as limousines W115 modificadas dos anos 70. O projeto do CLS não foi mostrado para toda a equipa de design, como é normal. Em vez disso, uma equipa de 10 designers e alguns modeladores foi separado para a missão. Eu acho que dava para chamar a esta equipa de “Top Gun da Mercedes”, pois eram designers que não seguiam regras para criar novos carros.

    Após duas semanas, o chefe de design, Peter Pfeiffer, junto com Günak observaram os desenhos e só três foram autorizados a continuar. Pfeiffer viu os meus sketches e lembrou-se da minha antiga proposta para o Classe E, aquela que Sacco rejeitou por parecer o Matchbox da Jaguar que eu tinha quando criança. Ele pediu para eu ressuscitar esses desenhos de 1997 e modificá-los para as novas medidas. Para minha surpresa, eles caíram muito bem na nova proposta. Por sinal, Pfeiffer veio ao estúdio e pediu para eu “forçar” algumas formas além do pedido. Ele não estava preocupado com o espaço para a cabeça no banco traseiro como no Classe E.




    P: Como foi a concorrência interna entre vocês, designers? Você lembra-se do dia da apresentação?

    MF: Meus concorrentes eram Peter Arcadipane, que tinha acabado de chegar da Peugeot/Citroën, e Joakim Karske, que se juntou a nós, após trabalhar na Volvo. Porém, naquela época, eu já tinha 12 anos de Mercedes. Quando foram apreciar os modelos finais em argila na escala 1:4, o carro do Arcapadine foi rejeitado por lembrar um Citroën. O sedan do Karske parecia um Volvo. A minha proposta era claramente um Mercedes, com inspiração no Jaguar XJ. Aí, ficou claro que apenas eu iria fazer o CLS em argila, no tamanho real. Naquela noite, corri para casa, feliz, para contar a novidade à minha família. Fomos jantar fora, em Stuttgart. Normalmente, isso parece um grande feito, mas os meus concorrentes disseram para eu não criar esperanças, pois aquilo seria só um estudo.

    Com curiosidade, acompanhei a máquina recortar a argila na escala 1:1. Era o meu desenho. No curso daquela tarde, quase todos os designers desceram para ver. Esse, definitivamente, não era normal. Todos disseram que o carro era lindo, mas estavam cépticos de que o projeto passasse de um estudo. Graças aos nossos habilidosos modeladores, a maquete em 1:1 manteve a personalidade e ajudou o CLS a ter o aspecto de um carro de verdade.

    Nenhum designer participava da apresentação para os diretores. Nessa reunião, Juergen Schrempp e Jürgen Hubert disseram que o CLS “era maravilhoso demais para ser um Mercedes-Benz, e não havia forma de produzir um carro assim”. No final, a maquete foi colocada no armazém, junto com todo os estudos de design. Que decepção!



    P: Depois que a diretoria voltou atrás, como foi o processo para finalmente criar o CLS?

    MF: Foi bem curto, menos de um ano. Nós não contamos os desenhos que já estavam prontos, mas a ideia foi levada adiante com alguns desenhos. O do carro vermelho (acima), principalmente, e note que está escrito “Maybach” na traseira. Naquele ponto, ainda não havia uma definição do Marketing de qual lugar no portfólio o CLS ocuparia.
    Todavia, um Power Point com os Jaguar mais marcantes foi montado pelos projectistas de design. Um deles, Matthias Runar, pediu-me para criar umas imagens sobrepostas dos mais icônicos Jaguar em que eu havia me inspirado. Havia o MKII, o XJS, o XJ12, o XK140 e, claro, e E-Type. Os elementos de design desses carros não estão no CLS, mas eles foram muito inspiradores para mim. Como designer que experimentou altos e baixos, teve projetos aceitos e rejeitados, o facto de que a Mercedes iria realmente fazer o meu carro quase sem modificações parecia surreal. O diretor de design, Peter Pfeiffer, proibiu o líder do projecto, Dieter Futschik, de mudar qualquer coisa do desenho original da carroceria. O objetivo era manter o desenho actual e sem coisas desnecessárias.




    P: Quais as ideias do início do projecto que foram abandonadas?

    MF: No inicio, pensamos em colocar entradas de ar ao lado dos faróis, para lembrar os Mercedes dos anos 60 e 70. Isso levaria mais ar fresco para a habitáculo (veja acima). Porém, a ideia foi abandonada em favor de um farol mais complexo. A grelha era para ser ainda mais “pontuda” e baixa, mas refinamos as proporções.

    No desenho inicial, pensei num cromado no fim da tampa da mala, para compensar a aparência estreita da peça, mas depois não foi preciso. Os desenhos davam uma ideia exacta do caráter que eu queria para a carroceria, e onde eu queria que as linhas começassem e terminassem. Houve um desafio em juntar as linhas na traseira e onde marcar a tampa da mala. Porém, tenho orgulho de termos chegado ao perfil esguio da traseira. Parece que tudo “mergulha” no para-choque traseiro. A harmonia foi perfeita.



    P: Porque razão, em sua opinião, o CLS se tornou um ícone tão rápido? Você esperava tamanha repercussão? Imaginava que iria criar um novo segmento de carros?

    MF: Eu acho que, após quase 100 anos de sedans quatro portas, foi justamente a Mercedes-Benz que reinventou esse segmento e criou um novo nicho. Mesmo assim, eu não esperava tamanha repercussão para um carro que parecia tão óbvio. Só precisava ter alguém com coragem de fazer. Isso mostra que as pessoas ainda desejam estilo e boas proporções, mesmo que algumas marcas não entreguem isso. Sem dúvida, o CLS abriu as portas para outras marcas evoluírem o estilo, criando proporções fantásticas.

    Inventar um novo segmento é algo que só acontece uma vez na vida. Acredite, não é fácil. Não há muita gente por aí a querer a responsabilidade de ser vanguardista. Essa atitude foi passada para mim por Joseph Gallindorfer, que sempre encorajou a equipa a fazer algo inédito. Foi ele o criador do Mercedes C111, que é fascinante ainda hoje. Ele, que inovou com os faróis com dois elementos do Classe E, filosofia ainda presente na marca.



    P: Qual foi a parte da carroceria mais complicada de ser projectada?

    MF: Como a maioria dos Mercedes, a parte mais complicada de desenhar foi a dianteira, particularmente os faróis. A marca tem uma certa tradição, com modelos marcantes, todos com grelhas dianteiras fortes e longos guarda-lamas. É esse delicado balanço que dá aos carros da Mercedes a tradicional presença nas ruas. Apesar de haver essa forte história, a “face” precisa se actualizar em cada lançamento e evoluir em relação ao anterior.

    Como o CLS não tem antecessor, foi preciso marcá-lo com uma nova face. Felizmente, ele sempre foi destinado a ser um desportivo, um membro da família do SL. Nunca foi pensado o CLS ter motor pequeno, ele tinha de competir contra os Jaguar e os BMW da linha M.

    Nos faróis, o desafio foi integrar a iluminação curva necessária pelo formato da peça. Na época, alguns disseram que eles pareciam as orelhas do Mickey, pela maneira como subiam nos guarda-lamas. Porém, o tempo mostrou que isso era a característica forte do CLS e representa bem a geração de designers que criou o modelo. O SL [R320] tem relação com ele, pois foi do descapotável que o desenho dos faróis evoluiu.

    P: Quais são as suas assinaturas de design no Mercedes-Benz CLS?



    P: Por ser tão marcante, acredita que o CLS é difícil de ser redesenhado? O que pensa da segunda geração do modelo, lançado em 2010?

    MF: É verdade. O primeiro CLS é tão marcante que não deveria ter mudado rapidamente. A Mercedes deveria ter evoluído o carro com cuidado, e não colocado de lado e, depois, tê-lo substituído por um CLS tão diferente como o C218 [a actual geração do CLS]. O primeiro CLS era como uma linda mulher com uma aparência esguia e de boas proporções: fica maravilhosa usando um vestido preto básico. Na minha humilde opinião, o que aconteceu com o CLS na segunda geração é exactamente o que não deveria ter sido feito. Ele se transformou numa linda mulher que colocou um vestido extravagante e fez esconder os contornos da sua beleza natural. Algo forçado para ser diferente.

    A solução escolhida não faz jus ao modelo original. Se não fosse pela Shooting Brake, a meu ver, este CLS seria um desastre. A Shooting Brake, de alguma maneira, funciona melhor com esse design. E o CLA? Como designer, fico orgulhoso que após 10 anos, a minha ideia seja usada novamente. O trabalho resultou numa versão com um toque cômico. Talvez, se a proposta do CLA fosse parecida à do CLS, eu estaria mais aberto a aceitá-lo como uma recriação ou downsizing do carro. Porém, desta forma, é mais um insulto que requer um bocado de paciência para engolir.



    P: O que você pensa dos modelos que seguiram a filosofia de coupê quatro portas do CLS? Qual é o concorrente que melhor soube se inspirar no seu carro?

    MF: Sem dúvida, o CLS abriu o caminho para muitos outros seguirem essa tendência. Da cópia mais óbvia, o Volkswagen Passat CC, ao exótico Aston Martin Rapide, houve várias tentativas de fazer um coupê quatro portas melhor ou diferente.

    No caso do Audi A7, a semelhança com o CLS não é tão óbvia, somente a maneira como o carro foi idealizado é que parece igual. Já o BMW Série 6 Gran Coupe precisa de uma segunda observação, para percebermos a evolução das proporções em relação ao Série 5 e Série 7. Mas ele deixa uma boa impressão.

    A Porsche já havia sinalizado o caminho do Panamera com o conceito 989 [de 1988], quase uma década antes do CLS. Porém, o resultado do Porsche quatro portas, o Panamera, tem proporções bestiais. Apesar de ser um furacão ao volante, não passa a imagem de carro bonito. Já o Fisker Karma tem um desenho de ostentação. Talvez a marca tenha outra chance de acertar quando voltar aos eixos.

    in:http://caranddriverbrasil.uol.com.br...com-o-pai/7673

  19. #19
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    Por Defeito

    Só alguém muito afectado com símbolos nega o impacto/inovação da primeira geração.

    A segunda geração é o "semi-aborto" que se conhece, vamos lá ver a terceira

  20. #20
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    A primeira geração é fantástica. A segunda não tem nada a ver... Ainda hoje gostava de ter um CLS da primeira geração e ainda hoje é um grande carro. E o interior para mim é dos melhores da Mercedes, de sempre. Depois disso vieram os interiores quadradões no Classe C e E que não tem muito de Mercedes.

    Actualmente os interiores são "Mercedes" outra vez.

    Gostei muito de ler esse post

  21. #21
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    finalmente, alguém que compreende que o CLA é uma coisa de fugir!!!

  22. #22
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    Citação Originalmente Colocado por whereagles Ver Post
    finalmente, alguém que compreende que o CLA é uma coisa de fugir!!!
    Desde que se compreenda que é inegável o marca do CLS mk1

  23. #23
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    Muito obrigado pela partilha do artigo! Concordo também com a avaliação que od esigner faz dos novos CLS (CLA e cia.).

  24. #24
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    Sempre pensei que o primeiro CLS era um carro que a Jaguar deveria ter feito. Esta entrevista com o Michael Fink esclarece por que tive esta impressão

    Mas para mim o primeiro coupé de quatro portas foi o Rover P5B Coupé, que segue o mesmo princípio do tecto rebaixado e carroçaria pontuda mencionados na entrevista:

    Última edição por FernandoZero : 30-01-17 às 12:24:47

  25. #25
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    Citação Originalmente Colocado por VolkswagenPedro Ver Post
    A primeira geração é fantástica. A segunda não tem nada a ver... Ainda hoje gostava de ter um CLS da primeira geração e ainda hoje é um grande carro. E o interior para mim é dos melhores da Mercedes, de sempre. Depois disso vieram os interiores quadradões no Classe C e E que não tem muito de Mercedes.

    Actualmente os interiores são "Mercedes" outra vez.

    Gostei muito de ler esse post
    Pois claro que não...




  26. #26
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    Citação Originalmente Colocado por CarlosAndrade Ver Post
    Pois claro que não...



    Não estava a falar desses, mas destes:



    Este interior para mim não é dos melhores que a Mercedes fez. E o do CLS para mim, é

  27. #27
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    Esse parece o interior do C coupé.

  28. #28
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    Citação Originalmente Colocado por VolkswagenPedro Ver Post
    Não estava a falar desses, mas destes:



    Este interior para mim não é dos melhores que a Mercedes fez. E o do CLS para mim, é
    O interior do CLS, já nada tem a ver com nova vaga de interiores da Mercedes.
    ...não querendo com isto afirmar que não tenha no entanto a sua beleza ou requinte.


  29. #29
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    Tenho andado algumas vezes numa mercedes CLS shooting brake, e acho que tem uma presença incrível.
    Pessoalmente não sou apreciador de sedans do segmento E e F, precisamente porque acho-os demasiado volumosos, coisa que o CLS consegue diluir na perfeição.
    Dentro da gama alta da mercedes é o que mais gosto, tal como o Série 6 da BMW.

    Em termos de desenho, acho que lhe falta talvez um pouco de personalidade na frente à actual geração, mas a proporção que os outros não têm até faz esquecer isso.
    Já no interior é onde acho que mais peca, porque esperava mais em termos de robustez e mesmo desenho mais arrojado. A habitabilidade, tratando-se de um carro familiar com 5m é um bocado sofrível, mas é o preço a pagar pelo perfil esguio.

    Por fim, tenho um bocado de medo do que pode piorar este modelo, porque será essa a tendência, estragar...e finalmente alguém com quem partilho opinião sobre o CLA, acho que exageraram, e cómico é mesmo o termo!

  30. #30
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    Citação Originalmente Colocado por strecht Ver Post
    O interior do CLS, já nada tem a ver com nova vaga de interiores da Mercedes.
    ...não querendo com isto afirmar que não tenha no entanto a sua beleza ou requinte.

    Esse tablet que aí espetaram não tem nada a ver com o resto...

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