Tópico do Ayrton Senna
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Título: Tópico do Ayrton Senna

  1. #1
    Piloto Lendário Omega's Avatar
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    Por Defeito Tópico do Ayrton Senna

    "Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo."


    "Correr, competir, eu levo isso no meu sangue. É parte de mim. É parte de minha vida." "Meus ídolos como pilotos sempre foram Niki Lauda e Gilles Villeneuve. O primeiro pela frieza e Villeneuve pela agressividade."


    "O kart me deu muitos momentos de prazer e excelentes recordações. Nunca uma pilotagem foi tão divertida e ali aprendi muita coisa. Muita coisa que uso na F1 são provenientes do aprendizado nos karts."


    "Na última volta desapertei o cinto de segurança, tal era minha euforia de levantar e comemorar a primeira vitória na F1." (sobre a primeira vitória, em Portugal, 1985)


    "Essa foi uma corrida que vai passar para a história." (sobre o GP do Japão em 1988, quando conquistou seu primeiro título)


    "A Fórmula 1 é um tempo perdido se não for para vencer."


    "Se cheguei onde cheguei e consegui fazer tudo o que fiz, foi porque tive a oportunidade de crescer bem, num bom ambiente familiar, de viver bem, sem problemas econômicos e de ser orientado no caminho certo nos momentos decisivos de minha vida."


    "Lutei muito para sentar naquele carro, para estar ao lado de Frank Williams, mas estou sentido que vai dar trabalho. Ou eu não me adaptei ao carro, ou o carro não foi com a inha cara." (1994)


    "Quando Deus quer, não há quem não queira."


    "O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo. Outras, acho que estou entre elas, aprendem a conviver com ele e o encaram não de forma negativa, mas como um sentimento de auto preservação."


    "Meu sonho não tem fim, e eu tenho muita vida pela frente." (1991)


    "Convivo com o medo de morrer e ele me fascina." (1992)


    "Dinheiro é um negócio curioso. Quem não tem está louco para ter, e quem tem está cheio de problemas por causa dele."


    "O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história que o importante é competir não passa de demagogia."


    "Vocês nunca conseguirão saber o que um piloto sente quando vence uma prova. O capacete oculta sentimentos incompreensíveis."


    "Uma maneira de preservar sua própria imagem é não deixar que o mundo invada sua casa. Foi um modo que encontrei de preservar ao máximo meus valores."


    "Quando você não está feliz, é preciso ser forte para mudar, resistir à tentação do retorno. O fraco não vai a lugar algum."


    "No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz."


    "Ele (Deus) é o dono de tudo. Devo a Ele a oportunidade que tive de chegar onde cheguei. Muitas pessoas têm essa capacidade, mas não têm a oportunidade. Ele a deu prá mim, não sei porque. Só sei que não posso desperdiçá-la."


    "Brasileiro só aceita título se for de campeão. E eu sou brasileiro."


    "Quero fazer algo de especial. Todo ano alguém ganha o título. Eu quero ir além disso."


    "Se depender de mim, vocês, jornalista, irão esgotar os adjetivos do dicionário."


    "É irreal pensar que vou vencer sempre, mas sempre espero que a derrota não venha neste fim de semana."


    "Nunca levo em conta a possibilidade de um acidente, mas o medo é uma coisa constante no meu dia-a-dia."


    "Não tenho limites. Estou com 33 anos e acho que ainda tenho muito pela frente."


    "Nesses dez anos de Fórmula 1 minhas maiores alegrias vieram da torcida. Do Brasil."


    "Trabalhei muito para chegar ao sucesso, mas não conseguiria nada se Deus não ajudasse."


    "Primeiro, era chegar à F 1. Depois, fazer uma pole, vencer uma corrida, ser campeão. Aos poucos, fui preenchendo todos esses sonhos."


    "Quero melhorar em tudo. Sempre."


    "Eu estava realmente procurando dirigir um Williams-Renault, pois considero essa equipe o início de uma nova vida no automobilismo para mim."


    "O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho."


    "Hoje gosto muito mais de crianças do que gostava um ou dois anos atrás. É mais fácil se comunicar com uma criança. Basta trocar um olhar, um gesto, um sorriso."


    "Aquilo foi algo se sonho. A vitória veio com estilo e ainda valeu o campeonato." (sobre o GP do Japão em 1988)


    "Estou a mil por hora. Não vejo a hora de começar o campeonato do ano que vem." (outubro de 1993)


    "Eu quero viver um pouco mais, curtir um pouco mais a vida."


    "O acidente em Mônaco (1988) me levou para perto de Deus. Mudou muito minha mentalidade."


    "Tenho medo da morte e da dor, mas convivo bem com isso. O medo me fascina."


    "Não sei dirigir de outra maneira que não seja arriscada. Quando tiver que ultrapassar, vou ultrapassar mesmo. Cada piloto tem um limite. O meu é um pouco acima do dos outros."


    "No que acredito mesmo é em Deus."


    "O que sinto num carro a 300 km/h ? Emoção, prazer e desafio."


    "Canalizo todas as minhas energias para ser o melhor do mundo."


    "A Lotus me deu a primeira vitória na F 1. É uma equipe que permanecerá para sempre em meu coração."


    "Sou um jovem que sacrificou muito de sua própria existência para as corridas. Penso nesta profissão desde que eu era criança; dei tudo de mim e acho que a amo mais que qualquer outro. Por isso, até quando estiver correndo o farei somente para vencer. Só pararei no dia em que perceber ter andado um décimo mais lento do que poderia."


    "Não tenho a recriminar-me por aquela ultrapassagem na chicane (GP do Japão 1989), foi Prost quem fechou. Era a única possibilidade que tinha para vencer."


    "Podem ser encontrados aspectos positivos até nas situações negativas e é possível utilizar tudo isso como experiência para o futuro, seja como piloto, seja como homem."


    "Dedico esta corrida a quem me fez perder o mundial de 89. As corridas são assim: às vezes acabam logo depois da largada, outras a seis voltas do fim."



  2. #2
    Consultor Dias's Avatar
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    Por Defeito

    Foi no principio dos 90 com ele no activo que despertou a paixão pela f1...

    Saudades...[xx(]

  3. #3
    Banido Excalibur's Avatar
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    Por Defeito

    [^][^][^]

    Aquele TOLEMAN HART á chuva no GP do MOnaco.

    Simplesmente DIVINAL

    Foi o terror do Professor - A. Prost - que insistiu com Jackie Ickx para que finalizá-se a corrida de imediato, foi ver os seus gestos frenéticos para a bancada do director da corrida.

    SENNA num carro bem inferior ameaçava Monsieur Prost.

    Digno de ser visto e uma digna homenagem.

    [^][^][^]

  4. #4
    Piloto Lendário Omega's Avatar
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    Por Defeito

    A volta do preguiçoso

    Tão tradicionais como as férias de verão de Ayrton em Angra eram os resmungos por sua ausência, ouvidos durante o inverno inglês nos corredores da sede da McLaren, em Woking, e transcritos em tom de contida indignação em algumas reportagens e colunas especializadas da Inglaterra. Naquele início de 91, junto com a ironia da comparação entre as temperaturas de Angra e Woking, houve também, nas entrelinhas da imprensa, muita solidariedade com o esforço de Gerhard Berger para testar a McLaren sozinho, enquanto Senna se esbaldava.

    Nigel Roebuck, em Autosport, sempre vigilante, bem-informado e com a lâmina da ironia afiada, condenou Senna pelas críticas que ele fez ao novo motor Honda V12, considerado por ele pior do que o V10 usado no ano anterior: "Se ele foi indiferente o suficiente para deixar os três meses de testes por conta de simples mortais da McLaren, também não tinha direito de reclamar".


    Ricardo Patrese na Cola de Senna, uma Marcha apenas sacrifício extremo para vencer a corrida


    A partir do GP de Phoenix, nos Estados Unidos, Senna provocou na equipe, como sempre, o efeito de um vento tropical, derretendo o gelo dos queixosos com um serviço completo: mais uma pole e uma vitória, deixando em segundo a Ferrari de Alain Prost, "campeã" dos testes de inverno. O furor da volta ao trabalho, que incluiu uma média de seis horas diárias de reunião com os engenheiros da McLaren e da Honda, levou Gerhard Berger, o operário-padrão do inverno, a fazer o seguinte comentário para Celso Itiberê:

    - Esse seu amigo é maluco. Ele vai ficar no boxe até de madrugada. Eu vou para o hotel onde tem uma garota me esperando.

    Na véspera da corrida de Phoenix, Prost, que também trabalhara duro no inverno, fez um comentário sobre a equipe Ferrari, revelado posteriormente pelo mesmo Roebuck, e que foi o prenúncio da pior temporada de sua carreira: "Olhe pra eles. Acham que seremos campeões. Amanhã, eu garanto, Ayrton vai ser um segundo mais rápido que a gente. E o mundo vai desabar, você vai ver."

    Alain acertou na mosca. Só não imaginava que o mundo ia cair exatamente em cima dele.

    Um sonho, uma marcha

    Não se sabe se aquele momento de descanso teve algum efeito na heróica vitória de Ayrton em Interlagos, seu primeiro triunfo no GP do Brasil depois de oito participações. Mas o que Senna fez, fora de Interlagos, no fim de semana em que completou 31 anos, mesmo os mais íntimos teriam dificuldade de imaginar: passou horas pescando no lago da fazenda da família em Tatuí, no interior de São Paulo, a 140 quilômetros do circuito , na companhia de Prof. Sid Watkins, como os pilotos se referiam ao seu anjo da guarda nos autódromos. No intervalo entre as tilápias e lambaris, os dois iam de helicóptero para o autódromo, Watkins para garantir que todos ficassem inteiros e Ayrton para o desafio de vencer as Ferrari de Prost e Alesi e as Williams-Renault de Mansell e Patrese, na luta pela pole.

    A presença de Watkins no reduto mais protegido da intimidade dos Senna não era gratuita. Os dois eram realmente amigos. Em seu livro Beyond the limit, Sid diz que existiam duas pessoas no mundo, à exceção dos parentes, que ligariam para ele apenas para dizer "olá", sem pedir coisa alguma: Senna e Jackie Stewart, dois homens que tinham em comum, escreveria Sid, "a precisão de pensamento e ação, a dedicação sublime ao esporte, a inacreditável habilidade de pilotar, a ambição e a falta de medo dentro de um carro de F1."

    Enquanto Senna e Watkins pescavam, o piloto Nelson Loureiro ficava muito preocupado com volta deles, a tempo, para os treinos e a corrida. O helicóptero Esquilo de Ayrton não tinha equipamento para vôo por instrumentos e havia a possibilidade de os dois não chegarem ao autódromo por causa do nevoeiro. Mas tudo deu certo. Na sexta e no sábado, Ayrton e Watkins ficaram na fazenda, pescando. Para corrida de domingo, nem Senna quis arriscar. Os dois dormiram em São Paulo mesmo.

    Na domingo, a imagem da Williams de Nigel Mansell sumindo na nuvem de fumaça provocada por ele mesmo no "Esse do Senna", ao acelerar desesperadamente na tentativa de voltar à corrida depois de uma rodada, com a arquibancada de Interlagos comemorando uma espécie de gol, foi o prenúncio de que Senna venceria finalmente seu primeiro GP do Brasil. Pole e líder da prova, Ayrton, naquele momento, só teria de administrar a distância do segundo colocado, Patrese, com a outra Williams.

    Senna precisou de muito mais. A partir da 65ª volta, a terceira e a quarta marchas da McLaren não engataram. Mais algumas voltas e a quinta marcha também não entrou. Avisado pelo boxe da Williams, Patrese começou a apertar o acelerador e diminuir a diferença. Para manter a McLaren na frente, Senna, sem o recurso de frear o carro com as reduções de marcha e, principalmente, sem o torque das marchas mais curtas para retomar a velocidade nas saídas de curva no chamado "miolo" de Interlagos, compensou tudo com um enorme sacrifício físico.


    Essa imagem enche nossos coracoes....

    Toda a pressão que o ângulo das curvas provocava no sistema de direção ia direto para os seus braços. De uma hora para a outra, o volante moderno e sofisticado da McLaren se tornou quase tão pesado como o de um carro de passeio que perdesse subitamente o conforto da direção hidráulica. O insuspeito elogio de Nigel Roebuck, na retrospectiva jornalística daquele ano em Autosport, dispensa explicações sobre a façanha de Senna, ao terminar a corrida à frente de Patrese: "Manter o carro na pista naquelas circunstâncias, sem cometer qualquer erro, confirmou a majestade absoluta do talento de Senna".

    O que se seguiu à bandeirada da vitória naquela tarde abafada de domingo, em Interlagos, arrebatou definitivamente os brasileiros. Ayrton não conseguiu levar a McLaren até o boxe, depois de diminuir a marcha para pegar uma bandeira do Brasil que um fiscal de pista lhe ofereceu. O motor, preso na sexta marcha, não voltou a funcionar. E ele enfim se entregou à exaustão, ali mesmo na pista, quase desmaiando no cockpit, cercado por dezenas de fiscais e torcedores emocionados.

    O amigo Sid Watkins, levado ao local no pace car dirigido por Wilsinho Fittipaldi, viu o parceiro da pescaria em Tatuí inteiramente transformado pelo desgaste físico. Aquelas voltas finais de intensa contração dos músculos da nuca, do pescoço e do ombro, somadas à tensão emocional provocada pela ameaça de Patrese, haviam acumulado no organismo de Senna uma quantidade de ácido lático cuja dor poucas pessoas suportariam.

    Levado para o boxe da McLaren no pace car dirigido por Wilsinho, Ayrton saiu com dificuldade do banco traseiro esquerdo do carro, o braço esquerdo apoiado na mão direita, exausto, suado e ainda com muita dor. Cercado por Ron Dennis, Sid Watkins, ele olhou em volta e, ao descobrir o pai no meio da pequena multidão barulhenta, gritou: "Vem cá, pai! Vem cá!"

    Milton da Silva deu sinais de que queria deixar o filho entregue aos torcedores. Ao perceber, Ayrton se encheu de energia e, para espanto de Ron Dennis e seu minúsculo domínio do idioma português, gritou, exigente, misturando uma certa raiva à dor fíisica: "Vem cá!!! Vem cá!!!"

    O pai então abriu caminho entre as pessoas e, sorriso tímido, ficou ao lado de Senna, sem saber o que fazer. No mesmo instante, Ayrton desarmou. E sua voz já era terna e pedinte quando ele finalmente fez o que queria: encaixou a cabeça no ombro direito do pai e pediu: "Só encosta. Me dá um beijo".

    Milton, inteiramente tomado pela surpresa no meio do tumulto, pareceu não entender o que filho queria. Mas abriu um sorriso que durou alguns segundos. O tempo em que Ayrton ficou encostado em seu ombro, antes de ser puxado por alguém e levado para o pódio.

    do site gptotal.com.br


  5. #5
    Piloto Lendário Omega's Avatar
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    Por Defeito

    Imola, 1994

    Flavio Gomes

    Há nove meses ensaio a abertura deste texto. Por uma série de circunstâncias eu, o enviado especial do maior jornal do país que estava lá, em Imola, naquele dia, nunca escrevi sobre a morte de Ayrton Senna. De certa forma, sou um privilegiado. Não caí na vala comum. Não elaborei teorias. Não filosofei em público. Fui demitido antes. Estou isento. Ninguém pode me acusar de omissão.

    'È morto', assim imaginei a primeira frase. Abrir com aspas, desde que seja uma declaração forte, importante, decisiva. É o que ensinam alguns manuais de redação.

    'È morto.' Estávamos parados na fila do pedágio, na entrada de Bolonha, no carro que eu aluguei. Um Fiat Punto vinho metálico, sem rádio. Eu dirigia. Ao meu lado, Mario Andrada e Silva, do Jornal do Brasil. Meu 'partner', o cara que começou no jornalismo comigo, na Folha, em 88. Eu editor-assistente, ele um ex-economista que resolveu virar jornalista, o sujeito que mais conhece Fórmula 1 no Brasil. Foi meu repórter, eu editor, depois trocamos as funções, mais adiante viramos concorrentes.

    'È morto.' Sem rádio no carro, eu e o Mario vivíamos momentos de uma agonia indescritível. Saímos de Imola logo depois da corrida, direto para o Hospital Maggiore de Bolonha. No meio de um congestionamento monstruoso, a falta de notícias dava nos nervos. Sabíamos que ele ia morrer, arriscávamos até que já estava morto quando entrou naquele helicóptero. Mario dormiu no caminho. Era seu jeito de enfrentar a tensão. Eu, agitado, procurava algum jeito de fugir daquele mar de carros. Não dava.

    No pedágio, pedi a ele que perguntasse ao carinha do carro ao lado se havia alguma notícia sobre Senna. 'È morto', respondeu o rapaz. Eram quase sete da noite. Comecei a tremer. Enquanto pegava as moedas no console, repetia '**** que pariu, **** que pariu, **** que pariu'.

    É horrível admitir que minha primeira reação tinha a ver com o que me esperava nas próximas horas. De uma maneira ridícula, esqueci qualquer tipo de sentimento para me envolver com a cobertura. Não me venham com o papo furado de que fiz o que qualquer bom jornalista teria que fazer. É balela. Preferia ter chorado. **** que pariu, **** que pariu. A gente não sabia onde ficava o Maggiore. Seguimos as placas e achamos. Descemos do carro correndo, como se fosse possível registrar os últimos suspiros do Ayrton, como se ele estivesse nos esperando para morrer.

    Não gosto de lembrar, e provavelmente vou rechear estas linhas de clichês, coisas como 'parece que foi ontem'. Mas parece mesmo. É indiscutível que essa foi a cobertura da minha vida, que jamais vou passar por coisa parecida. Por isso é natural lembrar de tantos detalhes com tamanha precisão. Fiz questão de guardá-los. Senti que poderia ser a última corrida da minha vida. Era preciso preservá-la.

    Imola, sábado à noite. Saio do autódromo com uma sensação esquisita. Nunca tinha visto ninguém morrer ao vivo, perto de mim. Dou carona a uma jornalista alemã, Karen, que estava hospedada num hotel ao lado do nosso, em Riolo Terme -uma cidadezinha a 15 km do circuito. Ela chorava feito doida. Ratzenberger era seu amigo. Karen se envolvia demais com os pilotos. No caminho, exercitando um desconhecido inglês sentimental, tentava estancar aquela choradeira com as bobagens de sempre: acontece, esse negócio é perigoso, a Fórmula 1 precisa rever seus conceitos, calma, a gente tá vivo ainda, porra.

    Não saímos para jantar. Estávamos no quarto eu, Mario e o Marcelo D'Angelo, da Rádio Eldorado. No mesmo andar, Lemyr Martins e Alex Ruffo, da Quatro Rodas. Cansados, fomos direto para a cama. O fim-de-semana vinha sendo desgastante. Na sexta, o acidente de Rubinho. Para piorar, um furgão da Williams atropelou a mala onde eu levava meu computador, na saída do autódromo. Foi uma aventura fazê-lo funcionar à noite. No sábado, morre um cara. Chega. Acaba logo antes que piore.

    Como sempre, eu, Mario e Marcelo acordamos tarde no domingo. Um capuccino urgente e pista.

    Duas horas antes da largada, cada um em seu posto. Os dois na cabine da Eldorado. Eu, na da Jovem Pan, onde era comentarista. Em Imola, as cabines de rádio ficam em containers sobre o terraço do edifício dos boxes. No andar logo abaixo fica a sala de imprensa. É muito ruim para transmitir. Locutores e cometaristas só têm à disposição dois monitores: um com as imagens da TV e outro com os tempos. O ar-condicionado não funciona direito e não há janelas.

    Logo na largada, uma batida feia de Pedro Lamy em J.J. Lehto. Um sinal, talvez. Quando Ayrton bateu, berrei 'Senna!' no microfone. Apesar dos precedentes, não era para morrer. Caramba, o cara mexeu a cabeça! Não, não ia morrer. Mas percebi que havia algo de errado quando os comissários de pista chegaram ao carro e se mantiveram à distância. A partir daquele momento, a correria atrás de informações era frenética. Eram 9h13 quando Senna bateu na Tamburello. Subi e desci as escadas atrás de notícias uma dezena de vezes. Na segunda, terceira, sei lá, passei pela cabine da Globo. Galvão Bueno me perguntou se eu sabia de alguma coisa. Idiota, respondi que a corrida iria recomeçar, como se aquela fosse a informação mais importante do momento. 'Eu quero saber se ele está vivo, porra!', me disse o Galvão. Foi até gentil demais.

    Soube que Ayrton estava morto ainda no autódromo, pelas informações que chegavam de Bolonha. Tivera paradas respiratórias e morte cerebral. A corrida não tinha terminado, e relutei em matar Senna antes da hora, no ar. No corre-corre, entre a cabine e a sala de imprensa, liguei para a redação do jornal. Não havia ninguém. Só consegui falar com meu editor por volta das 11h, horário de Brasília, no final do GP. 'Pode se preparar para o pior', disse. 'O cara morreu.' Ouvi, do outro lado da linha, que iríamos fazer um caderno de oito páginas. Ok, ok, estou indo para o hospital.

    'È morto.' Quando entrei no saguão do Maggiore, a primeira pessoa que vi foi o Luiz Roberto, da Rádio Globo/CBN, de São Paulo. Com um celular, me colocou no ar, ao vivo. Não sabia direito o que dizer. Fazia meia hora que Senna tinha morrido e eu ainda não tinha me dado conta do tamanho da notícia. Procurei ser sensato. Disse que estava chocado e que o Brasil perdera um grande esportista. Muito original. A cabeça estava em outra. Quem ouviu a Adriane? E a família? E a Xuxa? E o presidente? Pela primeira vez, em oito anos de Folha, sentia que a edição fugia do meu controle. Maldito vício, esse de repórter que já foi editor querer editar tudo à distância. À minha esquerda, Nílson César, o locutor da Pan, me chama para uma entrada ao vivo também pelo telefone. No aparelho ao lado, Cândido Garcia, da Bandeirantes, faz o mesmo. Ameaço chorar quando ele se refere ao Mario, 'seu grande amigo', que disse não sei o quê. Naquele momento, naquele exato momento, caí na real. Percebi que uma fase da minha vida, das nossas vidas, tinha chegado ao fim. 'Meu grande amigo' Mario. Será que voltaríamos a nos ver uma vez a cada 15 dias, cada vez num país diferente, eu filando seu Marlboro Menthol Lights, ele usando meu shampoo?

    É gozado esse egoísmo que tomou conta de mim. Pensava na minha vida, na minha carreira, na família que a gente formava e que nunca mais seria a mesma. Fim, fim. Não chorei e fiz um discurso indignado, algo do tipo 'meu jornal me manda aqui para cobrir um evento esportivo e eu sou obrigado a relatar uma carnificina'. Cara, quanta bobagem.

    Ficamos no hospital até as 21h30, quando, no 12º andar, vi uma maca passar à minha frente, com um corpo coberto por um lençol. Subi num banco para poder enxergar melhor. Abracei o Galvão. Abracei a Betise, assessora de imprensa do Senna. Não derramei uma lágrima. Precisava falar com o jornal, urgente.

    Não havia mais nada a fazer no Maggiore. Tinha a hora da morte, 18h42, o comunicado da médica-chefe do Centro de Reanimação do hospital, vi as pessoas chorando no saguão, sabia o que tinha acontecido com Senna. Voltamos para o autódromo. Era hora de escrever. Jamais havia imaginado que um dia escreveria sobre a morte daquele sujeito. Antes, liguei para o jornal. 'Temos isso, temos aquilo, temos fulano?', falava, sem parar. Meu editor tentou me tranquilizar. 'Se precisar, a gente faz tudo daqui.' E reiterou: 'Nada de emoção nos textos'. Fiquei puto. Como, a gente faz tudo daqui? Claro que vou escrever sem emoção! Mas quero um espaço para um texto em primeira pessoa. Vamos ver, vamos ver. Quando cheguei de volta a Imola, me informaram que não precisava de texto na primeira pessoa.

    Havia poucas pessoas na sala de imprensa. Eu, Mario, Celso Itiberê, de O Globo, a Karen desesperada, alguns ingleses e japoneses. Poucos italianos, já que era 1º de maio e a maioria dos jornais não circulou no dia seguinte. Liguei meu velho Toshiba T1000 e o 'lead', surpreendentemente, saiu fácil. Tinha usado o ideal no dia anterior: 'A Fórmula 1 matou ontem o austríaco Roland Ratzenberger...' Era bom. Mas decidi escrever o texto mais gelado e despido de emoções da minha vida. Nem precisava. Há certos fatos que falam por si só. Dane-se o que o jornalista pensa. Resolvi usar uma construção inédita do meu repertório: 'O brasileiro Ayrton Senna da Silva'. O brasileiro. Nunca tinha chamado Senna de 'o brasileiro'. 'O brasileiro Ayrton Senna da Silva, piloto profissional de Fórmula 1, morreu ontem...' Ficou legal.

    Escrevi rápido. Cinco ou seis matérias. A Williams, a suspensão, o hospital, a pista, essas coisas. Quando terminei de transmitir tudo, me veio uma sensação horrível de trabalho mal-feito. Aquela coisa de não interferir na edição. Cheguei a escrever um recado emocionado aos colegas da redação que ajudaram naquele dia, que tiveram suas folgas cassadas, que colaboraram na elaboração de um produto bom num episódio tão trágico. Meu drama interior era um só: não fiz nada que os outros não tenham feito. E o resultado da edição do dia seguinte dependia muito mais de quem estava em São Paulo do que de mim. Ninguém nunca leu esse recado, que está guardado num disquete em casa ao lado da caneta que eu usei para minhas anotações naquele domingo. Uma caneta que eu achei na sala de imprensa de Aida, com a ponta mordida. Ninguém leu porque o texto não chegou a ser transmitido. A linha caiu, deu ocupado, sei lá. Desisti.

    Os dias seguintes foram piores que o domingo. Na segunda-feira, fomos cedo para o Instituto Médico Legal de Bolonha, sempre eu, Mario e Marcelo. Tinha gente para todos os lados e nenhuma notícia. Às 8h de Brasília, 13h na Itália, falei com meu pauteiro de um telefone público num bar. Não tinha muito a dizer, daria retorno mais tarde, e ele me avisou que alguém na redação queria falar comigo antes de eu desligar. Era uma moça, Cleusa Turra, secretária-assistente de redação. Pensei o pior. Vão querer que eu entreviste o caixão, o muro, essas coisas da Folha. Caí do cavalo. Cleusa queria saber apenas se eu estava legal. Me emocionei pela segunda vez. Não esperava nada muito humano do jornal. Estou legal, respondi.

    Foi um dia fraco de notícias, cheio de desencontros e alarmes falsos. A Folha enviara um fotógrafo para Bolonha, o Pisco Del Gaiso, hoje na Placar. Só o vi no IML. Perdemos o contato depois. No fim da tarde, nos transferimos de mala e cuia para o Novotel de Bolonha, onde estava instalado o QG da diplomacia brasileira que iria cuidar da transferência do corpo no dia seguinte. Alguns colegas voltaram ao Brasil na segunda à noite, no mesmo vôo que levou o irmão de Senna, Leonardo. Os que ficaram viraram atração; só eu fui entrevistado por uma rádio italiana e uma TV alemã. À noite, liguei para o jornal. 'Chegou tudo?', perguntei. Sim, chegou. Eram 22h aqui, 3h de terça-feira lá. Fulana quer falar com você. Era a secretária de redação do jornal, uma figura que raramente me cumprimentava na redação. Vinha bomba, com certeza. Resumo da nossa conversa, um tanto quanto áspera: nossa avaliação (deles) é de que O Globo saiu melhor, blá-blá-blá. E achamos que você deveria ter ido para o hospital na hora do acidente. Por que não foi? Porque achei que não deveria ficar uma hora no escuro, sem informações, sabendo que ele poderia morrer a qualquer momento. Não foi por causa da rádio?, insinuou a secretária. Ali percebi que meus dias na Folha estavam contados. Inventaram uma desculpa para me implodir.

    Na terça-feira, irritado com a insinuação da véspera, alguns quilos mais magro (não dava tempo de comer direito e faltava apetite, essa é a verdade), vivi novos momentos de emoção. O corpo embarcou no fim da tarde num avião da Força Aérea Italiana, em Bolonha. Não vi a decolagem. Estava falando com o jornal. Na mesma hora, a maioria dos jornalistas brasileiros embarcou para Paris, de onde voltariam a São Paulo no mesmo vôo do caixão. Me senti só. Ficamos eu e o Mario em Bolonha. O resto foi embora. Foi nessa terça-feira que consegui minha melhor matéria. Uma ex-namorada, de 13 anos antes, quando eu ainda morava no interior, era legista no IML de Bolonha. Consegui encontrá-la. Brigou comigo, depois de tantos anos, porque eu não a procurei antes. 'Eu te mostrava o corpo!', me disse, num português bastante razoável. Foi até meu hotel e me deu uma longa entrevista. Descreveu a cabeça de Senna, contou que colocou uma rosa na sua mão antes de fecharem o caixão, falou sobre os legistas, seus professores. E me revelou que o laudo iria concluir que ele morreu na pista. Foi uma grande matéria. Minha última na Folha, manchete do jornal no dia seguinte, 4 de maio.

    Naquela noite, no mesmo horário, três da manhã, liguei para a redação para avisar que estaria voltando no dia seguinte. A secretária de redação queria falar comigo de novo. Dois assuntos: 1) você não pode mais colaborar com a rádio; 2) decidimos que você vai ficar na Itália acompanhando o inquérito. Como acompanhar o inquérito? Isso vai levar meses! Pela primeira vez na minha vida, gritei com alguém no telefone. Queria voltar. Tinha motivos de sobra para isso. Primeiro, os jornalísticos: havia o velório, o enterro, todos os pilotos estariam no Brasil, eu precisava cobrir essa *****! Além do mais, um inquérito policial é um negócio que demora muito tempo. Não vou descobrir um assassino para o Senna, argumentei. Todo mundo já foi embora. 'A Folha não é todo mundo', ouvi. Seguiu-se um bate-boca. Chegamos a um impasse. Apelei para o pessoal. Queria voltar, estava estressado, emagreci cinco quilos, precisava ver gente viva. 'Nós decidimos. Você vai ficar e pronto', me disse a secretária. Eram três da manhã e eu não queria esticar aquele papo. Fui bem claro: 'Quem decide o que eu faço sou eu. Peço demissão e estou voltando amanhã'. Do outro lado da linha, ela tentou contemporizar. 'Não é bem assim, vou falar com fulano e te ligo depois', disse. Eu encerrei de vez: 'Não, ninguém me liga mais hoje. São três da manhã e eu tenho um avião amanhã cedo. Tchau'. Desliguei e pedi à recepção que não passasse mais nenhuma ligação para meu quarto. 'Eles vão dar para trás', resmungou o Mario, que já dormia. Ligaram, eu soube depois. Mas eu já estava dormindo. Pela primeira vez, desde a morte de Senna.

    Na quarta-feira, saímos os dois do hotel. Mario para Pisa, onde pegaria um avião para Londres. Eu para Milão, de onde voaria para Madri. Ambos, como sempre, atrasados. Mas, também como sempre, chegamos a tempo. No aeroporto de Linate, devolvi o Punto vinho e só embarquei porque era brasileiro. Ficaram com pena de mim. Cheguei a Madri, fui para o bom e velho Trip Hotel, liguei para meu editor, comuniquei-lhe que estava demissionário e fui ao cinema assistir 'Proposta Indecente'. No fim da noite, emocionei-me pela quarta vez: na TV, mostraram as imagens do Morumbi lotado gritando o nome de Senna antes do clássico São Paulo x Palmeiras. No gramado, um jogador, ajoelhado, rezava. Era Gilmar, zagueiro são-paulino, hoje na Portuguesa.

    Tentei esquecer Senna, a Fórmula 1 e a Folha. Na manhã seguinte, embarquei em Barajas levando um monte de acessórios que comprei numa concessionária Renault para meu carro novo, que eu ainda não tinha nem visto. Cheguei a São Paulo na quinta à noite, logo depois do enterro. Minha mulher me esperava. Nos abraçamos em silêncio. Tentei manter a pose. Na av. Tiradentes, vi bandeiras negras, faixas, ônibus com a inscrição 'Valeu Senna'. Na sexta, fui ao jornal para oficializar minha saída. Não fui recebido pela direção de redação. O pessoal da editoria não sabia que eu estava fora. Minha coluna, 'Warm Up', estava diagramada para ser publicada no dia seguinte. Ela nunca foi escrita. Fui demitido na segunda-feira, por insubordinação.
    http://ultimosegundo.ig.com.br/pagin...mio/imola.html


  6. #6
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    Tive a sorte de assirtir ao vivo ao GP de Portugal em 89 em que Senna estava a fazer uma excelente corrida quando Nigel mansell provocou deliberadamente o acidente depois de duas voltas antes ter sido desclassificado,mas só parou quando bateu,após o acidente e sem k a corrida tivesse acabado já estava tudo a abandonar o autodromo,só quero dizer com isto k naquela altura formula um era "uma Senna" bem fixe,mas ficaram os videos para recordar...

  7. #7
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    Estava eu a preparar o material para abrir este tópico e quando já tenho tudo pronto reparei que já vinha atrasado mas não faz mal vou pôr na mesma o material que tenho ;)

  8. #8
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    RIP

  9. #9
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  10. #10
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    citação:Originalmente colocada por Omega


    :DOmega esta é falsa não me lembro do Senna ter andado num Brabham [^][^][^]

  11. #11
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    A foto de facto é de uma miniatura, mas não é falsa não.
    E o Ayrton Senna só não foi para a Brabham porque depois de fazer testes e ser mais rápido do que o piloto titular foi vetado por este ......um tal de Nelson Piquet!

  12. #12
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    citação:Originalmente colocada por Omega

    A foto de facto é de uma miniatura, mas não é falsa não.
    E o Ayrton Senna só não foi para a Brabham porque depois de fazer testes e ser mais rápido do que o piloto titular foi vetado por este ......um tal de Nelson Piquet!
    O K não me lembro do episódio mas cá fica o registo [^][^][^][^][^]

  13. #13
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    Aqui é o Roberto Guerrero ao volante, mas o Ayrton lá está.... mais o Piquet e o Gordon Murray.
    Provávelmente não haverá mesmo fotos "ao vivo"...

  14. #14
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  15. #15
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    [img] uploaded/jof1/20065121956_1988 a 1993 McLaren.jpg [/img]

    McLaren de 1988 a 1993
    96 GP disp*tados 35 vitórias 46 pole positions 11 voltas mais rápidas

    1988 Campeão do Mundo com 90 pontos
    1989 2º Class. com 60 pontos
    1990 Campeão do Mundo com 78 pontos
    1991 Campeão do Mundo com 96 pontos
    1992 4º Class. com 50 pontos
    1993 2º Class. com 73 pontos

  16. #16
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    Memória
    O genial Ayrton Senna
    Leandro sobe, cabisbaixo, o caminho que dá acesso àquela pequena colina do Morumbi, como sempre faz todos os meses. É cedo mas já faz muito calor. À medida que se aproxima, Leandro reflecte que ali, naquele local onde repousa o seu amigo Ayrton Senna, bate quase sempre o sol. Hoje, Leandro trouxe o filho, Celso, a quem muitas vezes falou do seu amigo. O miúdo saltita a seu lado, olhando inquisidoramente a cara sombria do Pai.

    É cedo mas, já se encontra uma pessoa parada junto ao jazigo, em pose de recolhimento. Leandro acerca-se do local e dá a mão ao filho. É desta que vai contar-lhe sobre o seu amigo. Olhando a fotografia, baixa-se para o rapaz e não consegue conter uma lágrima que lhe rola pela face o que deixa o filho com ar sério. Pelo canto do olho Leandro observa o desconhecido. Tem cara de oriental, chinês ou japonês. Quando começa a falar com o miúdo o homem, ainda jovem, abandona a colina em direcção à saída. Minutos depois, ao encaminhar-se para a entrada do Morumbi Leandro tem um sobressalto. Segue a Fórmula 1 desde sempre mas, ainda não está familiarizado com a cara dos novos pilotos. Reconheceu o desconhecido que estava junto ao jazigo. Solta um sorriso. Era Takuma Sato, o piloto da Jordan. A presença do japonês no Morumbi dá-lhe a medida exacta da dimensão universal de Ayrton Senna. O homem largou a concentração em Interlagos, em fim-de-semana de corrida, para vir prestar homenagem a Senna. Quantos anos teria ele em 1994? 15 talvez. Leandro segue para casa feliz.



    Esta história é em parte verdadeira. O brasileiro Leandro é ficção mas, Takuma Sato esteve no cemitério do Morumbi, nos dias do Grande Prémio do Brasil deste ano para, como muitos outros milhares de desconhecidos de todo o mundo fazem durante todo o ano, prestar homenagem a Ayrton Senna. O mundo que, em 1 de Maio de 1994 sentado em frente do televisor assitia, incrédulo, ao inimaginável. Momentos antes o Williams de Ayrton chocava contra o muro em Tamburello. Um acidente terrível mas que ainda deixava espaço para um milagre. Porém, a notícia chegou fulminante. O brasileiro morria no hospital de Maggiore, em Bolonha.



    Foi o dia mais negro de sempre para a Fórmula 1 que, nunca mais foi o que era. A morte de Ayrton Senna marcou toda a temporada de 1994 e as que se seguiram, até hoje. De repente, de forma brutal, desapareceu um ídolo de milhões de pessoas, um ícone do "circo", o melhor piloto de todos os tempos, alguém que nos deliciava com a sua magia ao volante de um monolugar de Fórmula 1, alguém que não deixava ninguém indiferente, alguém com um talento, competência, concentração, rapidez e empenhamento nunca vistos, que se encontrava próximo da perfeição, que reunia em si todas as características que um piloto de competição deve possuir, alguém que marcou a Fórmula 1 para sempre. Senna era genial, único e insubstituível.



    Sem o brasileiro, a Fórmula 1 perdeu muito do seu fascínio, os circuitos tornaram-se mais amorfos, perdeu-se algo que iluminava os fim-de-semana de corridas. O principal actor e maestro daquele desporto, que escreveu as mais belas partituras da modalidade, que se tinha tornado na sua imagem, de tal forma que se contavam as semanas, dias e horas até ao próximo G.P., só para o ver em acção, desapareceu. A sua presença, porém, sente-se e sentir-se-á para sempre.



    Na memória ficaram as suas corridas. As seis vitórias no Mónaco, cinco das quais consecutivas, o circuito onde o seu talento resplandecente mais refulgia. A forma como se bateu no ano de estreia, a primeira vitória no Estoril, o primeiro campeonato e a forma deliciosa como conduziu para o ganhar, as estonteantes voltas de qualificação que lhe renderam 65 pole-positions, a forma como ganhava segundos atrás de segundos aos adversários, as ultrapassagens ideais, a vitória no G.P. da Europa de 1993, em Donington que terá sido a melhor prova de Fórmula 1 em muitos anos.



    Ayrton Senna congregava em si tudo aquilo que de bom existe no desporto automóvel. As suas vitórias memoráveis, a sua capacidade e coragem, grangearam-lhe o respeito, a admiração e a vontade de querer ser igual, não só dos seus pares na Fórmula 1, mas do mundo inteiro.



    Com um currículo invejável, Ayrton Senna tornou-se no único ídolo do desporto automóvel que se içou, ainda em vida, acima das estatísticas e dos números, pois a sua forma de condução entrou nos livros da história, deixando gravada uma marca indelével para a eternidade. O brasileiro era um Sol, tal como o Sol que todos os dias banha a pequena colina no Morumbi. Um jornalista canadiano escreveu, certa vez, sobre Ayrton: "Deus guia um Fórmula 1 pela mão de Senna, tal como escrevia música pela pena de Mozart".



    Palmarés inigualável



    Ayrton Senna da Silva começou no karting, tal como fazem a maior parte dos jovens que se iniciam no desporto automóvel e que querem chegar ao topo, à Fórmula 1 e, embora sem tradições familiares no desporto automóvel, desde logo evidenciou o seu grande talento. Em 1974, o pequeno prodígio vencia a categoria júnior do campeonato de Sâo Paulo, não tendo parado de ganhar desde então.



    Ayrton da Silva, era o nome que usava, chegou à Europa em 1981, para ficar, depois de se iniciar na alta competição em 1977 vencendo, nesse ano e em 1978 o campeonato pan-americano de karting e o Brasileiro entre 1978 e 1981. Nesses anos, nas suas quatro tentativas de se sagrar campeão do mundo, único título que não conquistou, Ayrton foi 2 vezes vice-campeão, em 1979, no Estoril e em 1980, em Nivelles.



    De 1981 a 1983, Ayrton Senna torna-se campeão por 5 vezes, ganhando os campeonatos RAC e Townsend Thorensen de Fórmula Ford 1600 em 1981, os campeonatos inglês e europeu de Fórmula Ford 2000 em 1982 e, o campeonato inglês de Fórmula 3 em 1983. Estas eram as provas que serviam, então, de antecâmara da Fórmula 1 e nelas participavam, obrigatoriamente, todos aqueles que almejavam a entrar no restrito mundo dos grandes prémios. E nelas, Ayrton Senna não só ganhou mais de 60% das corridas que disputou como em 1982 ganhou 21 das 27 provas dis****das e em 1983 ganhou as primeiras 9 corridas de Fórmula 3 que compunham o campeonato.



    As portas da Fórmula 1 abriram-se de par em par e todos os patrões das equipas queriam o jovem brasileiro. Apesar da Brabham lhe acenar com um contrato e, da primeira experiência com um teste, ainda em 1983, com um Williams, Senna estreia-se na Fórmula 1 em 1984, com 24 anos, no G.P. do Brasil, com a Toleman-Hart e, logo nesse ano delicia o mundo da Fórmula 1 com a sua prestação no G.P. do Mónaco, onde não ganhou porque a corrida foi interrompida com o brasileiro na segunda posição e, com as prestações que conseguia alcançar na grelha de partida ao volante de tal carro.



    Seguiu-se a primeira vitória no Estoril em 1985, já na Lotus, a luta pelo título mundial em 1986 e 1987, sempre com a Lotus, título mundial que chegou em 1988, em Suzuka, com a McLaren, perdido injustamente em 1989 mas, reconquistado em 1990 e 1991, sempre ao volante dos McLaren, a que se juntam os vice-campeonatos em 1989 e, na memorável época de 1993.



    Em 16 anos e meio de presença na alta roda do desporto automóvel Ayrton Senna conquistou mais de uma centena de vitórias, oito campeonatos internacionais, o que corresponde a 50% e, 4 vice-campeonatos. Na Fórmula 1, em particular, foram 11 anos, 3 títulos de campeão do mundo, 41 vitórias, 65 pole-positions, milhares de voltas e quilómetros no comando, número que parou de aumentar, naquela tarde de Maio de 1994, com Ayrton Senna no lugar de sempre, o primeiro, comandando uma corrida.

    Mário Jorge Ribeiro
    Jornal "O público"

  17. #17
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    A este Homem um grande aplauso!
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  18. #18
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    A day of dreams and ironies

    By David Tremayne and Caroline Reid
    Photographs by Keith Sutton
    Originally Published in Formula 1 Magazine, May 2001

    Tuesday 19th July 1983 was warm and sunny at Donington Park, the Leicestershire tract built to Formula One standards but which had never held a Formula One race. The idea of a test session at Donington today is unlikely, but it had been earned by a young driver called Ayrton Senna who had won the Formula Three support race for the British Grand Prix a few days before. Being Senna, he had won it from pole and driven the fastest lap on the way. Nowadays, a start-to-finish victory and a 10th win out of the 13 races of the F3 season so far, would have got him an immediate Formula One drive. In those days it was only enough to earn him a test session all of his own with the world champion team Williams. In today’s environment young Senna’s name would have been on a Williams contract before he sat in the car. But back then the competition for young drivers was nowhere near as intense. The average age of the Formula One grid in 1983 was 30. In 2001 it is 27.
    Despite Senna being an obvious star of the future, the test attracted little attention. Frank Williams turned up as a racer always does. But he had no idea of the significance. It would later turn out to be a day of ironies. Senna would start his Formula One car in a Williams and end it in a Williams, 11 years apart. Surprisingly, very few people remember much about the day other than the fact that Senna took a Williams around Donington faster than any one had before. The test session might never have taken place at all had the young Senna, traveling to Zandvoort to compete in the European Formula Ford 2000 support race to the Dutch Grand Prix the year before, had not sat next to Frank Williams on the flight.

    Peter Collins, then team manager at Williams, remembers it clearly: “When Frank arrived at the circuit he said to me, ‘Oh I sat next to some young Brazilian driver, Ayrton Senna da Silva. Do you know him?” “Yes, I said. “I know him. He’s racing here.”

    Senna won the race that weekend and went on to take the European championship, winning six races of the nine races and qualifying on pole eight times.

    Frank Williams remembers: “Ayrton was a very pushy and determined young man who was always phoning saying “come on, let me have a go”. He had won most of the F3 races in 1983 and it was clear that he would probably go a long, long way, but no one really knows these things. Patrick Head and I discussed it and decided to test him. Patrick and I thought even if we couldn’t use him for 1984 because of existing contracts extending into that year, it would be interesting to help him in his career and he might remember that later on. That is why we tested him. He was an impressive young man and I was very curious as to how he would go in a 500 horsepower machine. He was very determined and the ferocity of how he pursued Patrick and I for a test was impressive. He was persistent. He knew what he wanted, where to go and how to get it.”

    Eventually Williams grudgingly agreed to the test and a date was set right after the British Grand Prix.

    Senna arrived early at the track in his grey Alfa Romeo along with Brazilian journalist Reginaldo Leme of Globo TV. Leme had worked in Formula One since 1972. He had been a similar friend of Emerson Fittipaldi and Nelson Piquet at the start of their careers.

    It was a circuit Senna knew well, but Donington was not a favourite test track for the Formula One teams. Williams had used it before to test another young driver, Jonathan Palmer, a few weeks before. Palmer was no slouch, a former Formula Three champion who had gone on to win the European Formula Two title in the senior two-litre category one step below F1 on the racing ladder. Palmer was sufficiently impressive to be a Grand Prix drive at his home race in Brands Hatch later that year

    Palmer’s time was used as a marker to measure Senna’s performance by. If Senna couldn’t match Palmer’s time he knew he had no future in Formula One. He didn’t expect it to be a problem and it wasn’t.

    The Donington track of the early 1980’s was only just over a minute long for a Formula One car. It was also the days before proper test teams and Senna climbed into Keke Rosberg’s FW08C chassis number nine, with the world champion’s number one on the nose. It was the car Rosberg had driven at Silverston well out of the points in 11th.

    Frank Williams was late arriving as his Jaguar broke down on the MI and he had to wait for a lift sent out from the Williams factory. When Williams arrived he and Senna huddled for 30 minutes before he got in the car. Leme says: I remember Frank was smiling and they talked about all the different things.”

    Keith Sutton was also photographing the test. Sutton had driven down from Manchester in his Mark II Ford Cortina. He says: “I remember my Mark II Cortina only just made it to Donington over the hills.” Sutton, later to become a successful picture agency owner , was then Senna’s PR man and paid a 100 pounds per month to promote his career . The two were the same age and had formed a bond when Senna had first arrived in Britain. In the same way as Leme. Sutton says: I used to send out all these press releases to all these Formula One team owners, Bernie Ecclestone, Peter Warr and Frank Williams. I was 21, I think he was 20. I used to put at the bottom, “ For further information contact Keith Sutton, 17 Ashby Road, Cheadle, Cheshire” and then we used to send all these press releases out to all the magazines. I remember as a 21 year old I used to get calls from Bernie Ecclestone, Peter Warr, and Frank Williams asking how good he was. It was amazing.”

    He remembers how it all happened: “Senna called me and said it was a secret test. I need you to be there to take pictures, so we can get some publicity.” The irony was lost on the young Brazilian.

    Senna’s brother Leonardo and his close friend Alvaro Teixeira also witnessed the test. Senna was clearly nervous about what to expect. It was an emotional moment for him. After he changed into his overalls he walked around the car and said in Portuguese “chegou o dia”, meaning “that’s that day, the day’s arrived, the dream day”. Leme remembers him knocking twice on the car. Then he climbed in as the mechanics helped him buckle up. They had written a note on the steering wheel saying “Take Care, New Driver”.

    Leme remembers: “I looked again and he was crying and I asked him what was wrong. He said that he was praying that’s all.” Leme was filming the test for Globo TV to be shown on Brazilian TV where there was already intense interest in Senna’s career. He says now: “We were all expecting success.”

    They were not to be disappointed, as Senna drove an amazing first lap, and improved on his second, third, fourth, fifth laps. Every lap he went faster. Jonathan Palmer’s time was soon within his reach. Palmer’s best lap in his test at Donington was 61.7 secs. Within nine laps Senna had equalled that. In total, he covered around 20 laps that day, setting a new Williams record around Donington of 60.1 secs.

    Senna himself called a halt to the test just as he was poised to be the first man to go around Donington in less than a minute. Williams says: “He stopped at about a 60.1 and said I think this engine is going to let go, so I would rather not carry on”. We said ‘are you sure?’ and he said ‘yeah, that was fine for me, thanks very much.”

    Frank Williams remembers: “He drove very few laps – only about 20 and he was immediately very quick. It was clear that driving a Grand Prix car was well withing his depth. Jonathan Palmer had done a lot of testing there, and his time was around 61.5 and think Senna had equalled that by his eighth lap. By the end he had lapped in 60.1 seconds, even though he was a tight fit in Keke’s car because Ayrton was tall, slim and Keke was quite broad and short. Obviously the guy was a bit different. It was all pretty easy for him, getting down to our previous best time within 10 laps. I certainly went away impressed.” The mechanics were surprised that he beat Palmer’s time by 1.4 seconds. Alan Challis, chief mechanic is now production controller at Williams and recalls: “It was a case of getting him familiar with what was in the cockpit and telling him to take his time, as you would with any F3 driver. The thing that struck me was how quick he was instantly. Remarkably smooth, confident and quick. He came back into the pits and we told him to slow down a bit. He said he wasn’t trying.”

    Race mechanic Charlie Moody was in charge of preparing the FW08C, with his number two Robbie Campbell, who already knew Senna quite well because he had worked previously in Formula One with Brazilian driver Emerson Fittipaldi.

    “Of course, we’d seen Ayrton racing in Formula Ford 2000,” remembers Campbell. “I used to kid him he had a big engine in the car but, of course he didn’t. He was just quick. That day he went round Donington faster than anyone had ever driven a Williams there, and really, he wasn’t trying too hard because he didn’t fit the car. It was Keke’s, and he was a really cramped fit length-wise but was looses laterally because Keke was broader.

    “He did some laps, then came in and said to me: ‘How many gears does this car have?’ I told him it had six. ‘OK,’ he said. ‘I only use five so far.”

    Sutton remembers Senna’s speed into the chicane. “He was terrific under braking there. He was getting on the brakes so late and he was using all the road, just touching the entry kerb a couple of times. He just looked as if he had been doing it all his life.” Steve Tee, another photographer at the test, recalls: “They couldn’t believe how fast he was going. I think they might have done a couple of things to slow him down a bit, because everyone thought he was going too fast.
    They kept refuel ling the car, things like that, to keep it heavy. I think they might have changed the suspension geometry and the wings a couple of times, too, without telling him. Nothing nasty, just little things to see if he noticed. To test him. He did notice. He spotted them all.”

    The team was certainly impressed, as Peter Collins discovered when they returned to the factory and gave him the news on the test. Collins remembers Alan Challis bubbling: “The bloke’s incredible . It was just like the first time we tested Jackie Stewart at BRM.” Collins and Challis told Frank Williams he should put him straight into the car and let him race. But it was not to be.

    When Senna arrived back at West Surrey Racing, his Formula Three Team, after the test, team boss Dick Bennetts remembers: “He never really talked about it. He just said it was good. There was a little smile he used to give, a smile of contentment. He was not one of the loud ones and he didn’t talk much about things like that. Once he was testing an F3000 car and had a big accident at Snetterton and didn’t even tell me about it. I went to the next race and people were asking me about it and I didn’t know.” Frank Williams was pleased with the test but not enough to move the earth to give Senna a drive.

    Williams explains: “We weren’t looking for a driver for the following year. We had Laffite and Rosberg and we were happy with that. Keke was already a world champion and was in his third or fourth season, so Senna didn’t compare. Both had a phenomenal ability, but Senna’s was untapped. He hadn’t found his limit yet. There is no mystery to this. We just look all the evidence and make a decision. There is never any shining beam of light over one driver: you have to take a little bit of a punt.”

    Astonishingly, Frank Williams didn’t sign him up and let the next Jackie Stewart slip through his fingers. Senna would get another test with McLaraen a few months later, which also let him slip away.

    After the Williams test, Senna went back to his Formula Three career and took the 20-race championship with 13 wins, 15 poles and 12 fastest laps and victory at Macao for good measure.

    Keith Sutton’s photos are today cherished memories. He reminisces: “He was pretty sensational that day, I have to tell you, and he impressed a lot of people. I never know why Frank Williams didn’t sign him up that day. I think he regretted it and I think that probably is the reason why he signed Jenson Button up because he didn’t want to let another one go through. It was a great privilege for me to be there that day and to see him in a Formula One car for the first time.



    1983: When a Genius slipped through so many fingers

    Ayrton Senna’s first test, courtesy of Frank Williams, was the start of six months of intrigue and prevarication that would never happen today. Following that test in July 1983, arguably the greatest driver ever slipped through the hands of Frank Williams, Ron Dennis, Bernie Ecclestone and Peter Warr in quick succession. All rejected signing the Brazillian for the 1984 season and it was left to the obscure Tolemlan team and Alex Hawkridge to get Senna’s name on a contract.

    How he slipped through Williams’, Dennis’s, Ecclestone’s and Warr’s fingers is a mystery to all. Today, Senna’s name would have been on four contracts before anyone would even let him sit in a car. Frank Williams plays the situation down today, but privately will admit it was one of his biggest mistakes.

    The events are all clouded in mystery as it appears that during 1983, Ayrton Senna received half-hearted offers from all these teams in one form or another for the following year, although none involved him driving an F1 car in 1984, which was what he really wanted.

    McLaren, destined to be champion in 1984, tested Senna at Silverstone in October 1993 as part of a showdown between him, Martin Brundlel and Stefan Bellof. Regular driver John Watson posted a time first thing that morning then left it to the young guns to see how they matched up. Senna went first and almost immediately set a fast time, but the engine blew. Dick Bennetts remembers: He didn’t earn many brownie points from Ron Dennis for that. The engine was changed and Brundle and Bellof set similar times in a comparable number of laps. The wily Senna persuaded Ron Dennis that he should be allowed another go. He went out and set a time faster than Watson’s. Still he didn’t get the drive. Herbie Blash, then Brabham’s team manager, was satching proceedings and told then team boss Bernie Ecclestone what he had seen. Eccelstone arranged for Senna to test a Brabham at Paul Ricard; Brabham had won the drivers’ championship with Nelson Piquet at the helm and Ecclestone was keen to find a young charger to motivate the Brazilian. Lotus also approached Senna with a contract that autumn.

    But it was not to be. A deal-breaking problem was to arise in every case that year. Williams was committed to Keke Rosberg and Jacques Laffite for 1984. Dennis offered Senna a Formula One drive for 1985, following a subsidized year in Formula 3000. But Senna wanted to race in Formula One in 1984. Piquet blocked Senna at Brabham and Ecclestone had little choice but to listen to its established driver. It was a rare mistake. Lotus already had Elio de Angelis signed and title sponsor John Player Special wanted Nigel Mansell, a Brit, to fill the other seat.

    So Senna took what he could – which turned out to be the Toleman seat, and in his first race at Brazil in March 1984 he qualified a distant 22nd. In the McLaren, Williams or Lotus he could conceivably have become Formula One’s second rookie winner – and in his home Grand Prix. De Angelis put the Lotus on pole, Rosberg flew home second in the Williams Honda and Alain Prost won the race in the McLaren. Senna retired his turbo Hart-powered Toleman after eight laps with a blown engine. Few noticed and no team principal regretted their decision that day. That mood lasted until Monaco when they all realized what a big mistake they had made. By then, it was too late.


  19. #19
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    Ultimo carro visto á lupa

  20. #20
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    Ayrton Senna

    1ª vitória a 21 Abril 1985 no GP de Portugal debaixo de um dilúvio pilotando um Lotus Renault Turbo

    Sua Ultima vitória 7 de Novembro 1993 GP da Austrália pilotando um McLaren Ford

    Seu Palmarés na Formula1

    6 vitórias no Monaco 1987,1989,1990,1991,1992 e 1993
    5 vitórias na Bélgica 1985,1988,1989,1990 e 1991
    5 vitórias nos Estados Unidos 1986,1987,1988,1990 e 1991
    3 vitórias em S.Marino 1988,1989 e 1991
    3 vitórias na Alemanha 1988,1989 e 1990
    3 vitórias na Hungria 1988,1991 e 1992
    2 vitórias em Espanha 1986 e 1989
    2 vitórias no Canadá 1988 e 1990
    2 Vitórias no Brasil 1991 e 1993
    2 vitórias em Itália 1990 e 1992
    2 vitórias no Japão 1988 e 1993
    2 vitórias na Austrália 1991 e 1993
    1 vitória na Grã Bretanha 1988
    1 vitória em Portugal 1985
    1 vitória no México 1989
    1 vitória GP Europa 1993

    num total de 41

  21. #21
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    Morreu o homem, nasceu o mito!

    [^][^]

  22. #22
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    foi o piloto q alcancou melhores resultados vitorias/poles no menor espaco de tempo. esse record é pouco provavel q seja batido.

    para sempre Ayrton Senna da Silva.





    "Correr, competir, eu levo isso no meu sangue. É parte de mim. É parte de minha vida."

  23. #23
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    descança em paz, nós manteremos-te vivo nos nossos corações e pensamentos!

  24. #24
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    Só keria dar o meu contributo para este tópico...
    É e sempre será o melhor piloto de todos os tempos...
    Estará sempre vivo na nossa memória e corações.
    Só digo obrigado a deus por me ter deixado viver algum tempo com ele, e ter-me dado a oportunidade de ver em pessoa aquilo que ele fez, embora só tenha apanhado poucos anos, mas serão inesqueciveis...
    Obrigado Senna pelas emoções que despertaste em nós.
    Estarás sempre presente
    Cheires

  25. #25

  26. #26
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    Para mim a F1 morreu com o senna!!!
    Quem não sem lembra dos anos em que as corridas eram dis****das entre senna, mansel, prost, patrese.....

    Não digo que a F1 não seja um desporto engraçado e com piada, e que não existam pilotos tão bons ou ainda melhores que o Senna, o Senna foi o Senna e a sua forma de pilotar era unica e isso sim era entusiasmante, a forma como nunca desistia!!!

    Só vi isso num piloto depois de senna e, esse piloto, tal como senna, foi o que despertou mais emoções em todo o circo da F1, adorado por uns, odiado por outros!!
    Fui dos que o odiei, talvez por ser ele o grande sucessor de Senna como grande piloto de F1 (talvez eu não quisesse ou não estivesse preparado para que existisse alguem tão bom ao fim de tão pouco tempo) mas ele merece e tem subido na minha considaração pela forma como o ano passado e este ano está a encarar a luta desigual com os monolugares da Renault.

    Mas já não fico em pulgas para ver F1 como ficava!! Já não existe vontade de ver os treinos qualificados, já não existe pachorra de ver um piloto fazer as 60 voltas de uma corrida sem sequer ser incomodado!!!

    Espero que no céu tb haja F1 pq eu quero voltar a vê-lo correr..............

  27. #27
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    Só me resta dizer uma coisa, MELHOR PILOTO DE SEMPRE!!!!!

    Todos os outros não passavam de figurantes no palco onde o ayrton era actor principal.

    Adeus e continua a correr e ganhar onde quer que estejas, Até Breve

  28. #28
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    http://www.youtube.com/watch?v=w-8jQtdS1dw&search=Senna

    Este a homem a conduzir em molhado era inegualavel.

  29. #29
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    Um video e um dvd indispensáveis para um fã de Ayrton Senna:

    Video (desconheço se está disponivel em dvd): "Uma Estrela Chamada Ayrton Senna", editado em Portugal pela Motormania

    DVD: "The Official Tribute To Ayrton Senna "

    WWW.SENNA.TV







  30. #30
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    Vejam este livro: Ayrton Senna Saudade de Francisco Santos, da Talento

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